quarta-feira, 2 de maio de 2007

MONSTROSITY

«Spiritual Apocalypse»
(Metal Blade / Recital, 2006) [9/10]

Apesar de terem deixado em 2004 a impressão de alguma crise de ideias com o medíocre «Rise to Power», os Monstrosity estão aparentemente longe de querer abandonar a primeira liga do death metal da qual eles próprios foram precursores no início da década passada. A prova disso está à vista em «Spiritual Apocalypse», disco onde a banda de Lee Harrison apresenta uma composição das mais ricas e elaboradas de sempre, com riffs inspirados e pormenores técnicos que prendem a atenção a todo o momento. A execução é ao mesmo tempo precisa e criativa, com a percussão de Harrison muito superior ao seu habitual, o novato Mark English a debitar leads de guitarra de arrepiar a espinha, e o ainda mais novato Mike Hrubovcak a aplicar-se a plenos pulmões numa performance verdadeiramente mortífera. «Spiritual Apocalypse» retém a intensidade brutal característica do colectivo da Florida, só que desta vez o massacre sónico é infligido com o requinte e a subtileza presentes apenas nos grandes discos do género.

in CLIP (Diário de Aveiro), 3 Maio 2007

quinta-feira, 26 de abril de 2007

ORENDA

«Back in the Grave»
(No Colours Records, 2006) [4/10]

Ao fim de três penosas audições não consegui extrair deste disco nada mais do que uma constante sensação de tédio e pobreza. «Back in the Grave» é um disco de puro black metal. Mas ao mesmo tempo, na sua maior parte, é um disco oco e sem imaginação. Cada uma das músicas resume-se a um único riff que se repete incessantemente do princípio ao fim. A cadência rítmica é mantida enjoativamente constante, mesmo de um tema para o seguinte, não havendo lugar a qualquer espécie de breaks e muito menos refrões. Os teclados, quando presentes, surgem sempre no background e a guitarra solo faz-se ouvir ocasionalmente em linhas melódicas discretas evitando que o álbum seja um completo desastre. No entanto, como a mistura é sempre dominada por uma secção rítmica monótona e maçadora, estes acabam por ser aspectos que elevam muito pouco o resultado final. Quem busca metal de qualidade fica desde já avisado pois não é aqui que o vai encontrar.

in CLIP (Diário de Aveiro), 26 Abril 2007

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Edição de Abril 24, 2007

Na 1ª Hora

Passatempo
DJ Crusher Vol. 8

Oferta de cinco (5) cópias do CD Compilação da Metal Blade DJ Crusher Vol. 8, que inclui:
- 10 bandas: Six Feet Under, Vomitory, Symphorce, Monstrosity, Sonic Reign, Psyopus, entre outras;
- 19 temas extraídos dos mais recentes lançamentos;
- Mais de 70 min de destruição e morte... :-)

sábado, 21 de abril de 2007

Edição de Abril 24, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista com Shagrath (Stian Thoresen), vocalista dos noruegueses DIMMU BORGIR a propósito do lançamento do novo álbum «In Sorte Diaboli».

"Os fãs têm sempre de se queixar!... Desta vez é porque o álbum tem poucos solos! Se tivesse muitos, então estava mal porque tinha solos a mais!... Não podemos satisfazer todos ao mesmo tempo. O importante é que nós fiquemos satisfeitos."
(Shagrath, sobre o novo disco)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

THRESHOLD

«Dead Reckoning»
(Nuclear Blast / Recital, 2007) [9.5/10]

Álbuns de metal progressivo há muitos, mas não como este. É que «Dead Reckoning» tem a dupla virtude de agradar quase de imediato de fio a pavio, e ao mesmo tempo ser um trabalho suficientemente elaborado e com substrato técnico q.b. para fazer feliz qualquer fã do género. Neste oitavo disco de originais a banda inglesa usa e abusa de trejeitos de composição do comercial AOR, que resultam em temas não só perfeitos em todos os aspectos, como muito catchy. Este resultado fica a dever-se em muito, a refrões fortes, a linhas e arranjos vocais estudados e à maravilhosa prestação vocal de Andrew McDermott, assim como às brilhantes sequências instrumentais e aos rendilhados de teclados e guitarras de Richard West e Karl Groom. Surpreendentemente dois temas incluem o registo gutural de Dan Swano. Depois de quase duas décadas de actividade os Threshold parecem ter concretizado finalmente todo o seu talento em «Dead Reckoning». Um álbum que não vai deixar ninguém indiferente.

in CLIP (Diário de Aveiro), 19 Abril 2007

sábado, 14 de abril de 2007

Edição de Abril 17, 2007

Na 1ª Hora
Passatempo Ancient Ceremonies

Oferta de quatro (4) cópias do #13 da revista Ancient Ceremonies

Inclui:
- Entrevistas com Isahn, Zyklon, Bolt Thrower, Akercocke, Onslaught, Agathocles, entre outras;
- Centenas de reviews de CDs e DVDs;
- 76 páginas;
- CD compilação com 23 bandas e mais de 70 min.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

THORON

«Return to Dust»
(No Colours Records, 2006) [6.5/10]

Colectivo fundado por dois dissidentes dos Unmoored, este é o álbum de estreia que reúne a demo homónima gravada originalmente em 2005, e mais três novos temas. Contrariamente ao que é habitual os seis temas da demo apresentam uma qualidade de som notável que os torna quase indistinguíveis do material mais recente. Diferenças existem ao nível do conteúdo: as músicas são um pouco mais cruas e em geral mais simples, havendo honrosas excepções com riffs bem sacados e uma composição mais elaborada. A melhor parte do álbum concentra-se nos temas mais recentes onde a mesma abordagem thrash/death se apresenta mais madura e coerente, sendo também aqui que a influência dos Hypocrisy se faz sentir de forma mais marcante. Com uma sonoridade edificada sobre elementos contemporâneos e uma produção bastante polida, «Return to Dust» poderá ser até uma boa proposta para thrashers sem emenda, mas não contém virtualmente nada que já não tenha sido ouvido antes vezes sem conta.

in CLIP (Diário de Aveiro), 12 Abril 2007

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Edição de Abril 10, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista com Hugo Santos, guitarrista/vocalista dos portugueses PROCESS OF GUILT, a propósito do lançamento do álbum «Renounce».

Process of Guilt: Revelação do doom metal nacional
Vão assegurar a primeira parte dos dois concertos de Katatonia a 11 e 12 do corrente, respectivamente no Teatro Sá da Bandeira, Porto e Paradise Garage, Lisboa. Uma oportunidade para conhecer ao vivo esta banda de Évora, responsável por um dos melhores álbuns de metal de 2006. O guitarrista e vocalista Hugo Santos falou ao Clip.

Neste momento ainda a digerir o primeiro impacto causado pelo álbum «Renounce», qual é o sentimento colectivo que se vive no seio da banda?
Estamos muito contentes, claro. A nível nacional o álbum foi muito bem acolhido e as críticas que temos vindo a receber lá de fora também têm sido, em geral, igualmente favoráveis. Este disco representa o culminar dum processo que começou com as maquetes e continuou depois com todo o esforço realizado para chegar a este resultado final que é o «Renounce». É sem dúvida um marco na nossa mini carreira.

Apesar de conter maioritariamente influências de doom tradicional, o vosso álbum tem sido muito caracterizado como post-doom. O que é que tens a dizer sobre isto?
Penso que a nossa sonoridade inclui elementos de vários estilos que nos agradam. O post-doom de bandas como Cult of Luna ou Neurosis também está representado na nossa música. Mas sem dúvida que somos uma banda mais voltada para o doom/death tradicional pois foram exactamente este género de bandas, como Katatonia e Morgion, que nos levaram a formar os Process of Guilt há uns anos atrás, tendo sido sempre dentro deste espectro sonoro que nos tentamos desenvolver.

A falta de cunho pessoal foi uma crítica recorrente à vossa mais recente demo. Achas que o álbum já inclui o traço característico que vos faltava?
Penso que sim. No «Renounce» parece-me que a sonoridade está um pouco mais definida. Durante a composição tentamos sempre fugir a colagens óbvias e imprimir a nossa própria identidade, mantendo sempre alguma coerência. Embora haja elementos que podes associar a uma miríade de bandas do género, acho que temos aqui o cunho dos Process of Guilt e isso nota-se particularmente ao nível das vozes e dos solos de guitarra.

Onde costumas ir buscar a inspiração para escrever as letras?
As letras reportam-se quase sempre a experiências pessoais ou a vivências humanas que nos circundam. Os temas que escolho nem sempre são os mais positivos pois são estes que melhor se adaptam ao conceito e à ambiência da nossa música.

E quanto aos dois concertos de Katatonia que se avizinham? O que nos podes dizer?
É sem dúvida uma honra para nós e ao mesmo tempo uma feliz coincidência pois os Katatonia são uma das maiores referências na evolução dos Process of Guilt. Não obstante a nossa música esteja mais ligada ao que a banda fez no passado, pessoalmente continuo a apreciar muito o trabalho que eles têm vindo a produzir nos últimos anos, apesar de se basear numa estética completamente diferente.


in CLIP (Diário de Aveiro), 5 Abril 2007

RIMFROST

«A Frozen World Unknown»
(No Colours Records, 2006) [7.5/10]

Menos de um ano depois da publicação do mini-CD «A Journey to a Greater End» aí está o primeiro longa duração dos Rimfrost. Formado em 2002, o colectivo sueco explora um black metal fortemente influenciado pela fase mais recente dos Immortal que se faz sentir em aspectos tão variados como o imaginário lírico, alguns riffs e estruturas musicais, assim como no tom de voz de Hravn que, com frequência, faz lembrar o crocitar de Abbath. Para além disso a música incorpora também muitos elementos de thrash e, pelo menos em alguns temas, exibe um equilíbrio quase perfeito entre as sequências de meio tempo, as tiradas mais rápidas e as (poucas) passagens atmosféricas. «A Frozen World Unknown» é um trabalho que assenta num baixo pulsante, uma bateria poderosa e criativa e uma variedade de bons riffs, que nos transportam para um mundo de paisagens desoladas numa era glacial pós-apocalíptica.

in CLIP (Diário de Aveiro), 5 Abril 2007

quinta-feira, 29 de março de 2007

SONIC REIGN

«Raw Dark Pure»
(Metal Blade / Recital, 2007) [7.5/10]

Publicado em 2006 através duma pequena editora, o álbum de estreia do duo germânico é agora objecto duma divulgação mais alargada que lhe faz a justiça merecida. E assim é pois para além de irradiar toda a negritude do black metal, envolvendo tudo em volta numa atmosfera permanentemente densa e fria, este é um trabalho de agressividade controlada, inteligentemente construído e com passagens até bastante complexas. Embora os andamentos rasgados e explosivos sejam os dominantes, os oito temas são ricos em variedade, incluindo sequências mais lentas, por vezes melódicas, progressões memoráveis baseadas em poderosos riffs e algumas vocalizações limpas. O que subtrai a «Raw Dark Pure» é o facto de recorrer demasiado a sonoridades e estruturas que se associam de forma óbvia a bandas como Satyricon e Thorns. De resto o álbum constitui prova suficiente de que a banda tem o que é necessário em talento para criar no futuro algo bem mais relevante e inovador. Vamos aguardar.

in CLIP (Diário de Aveiro), 29 Março 2007

sexta-feira, 23 de março de 2007

Edição de Março 27, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista em estúdio com Scott Unger, baixista dos canadianos ANTIQUUS, a propósito do lançamento do novo álbum «Eleutheria».

"Este é um álbum sobre liberdade. Começa com a história dum navio de descobridores rumo ao Novo Mundo. Depois os eventos que se sucedem são de facto uma metáfora que remete para a questão da descoberta de nós próprios como individuos"
(Scott Unger, sobre o novo disco)

quinta-feira, 22 de março de 2007

PROCESS OF GUILT

«Renounce»
(Major Label Industries, 2006) [8.5/10]

Quem teve a felicidade de conhecer a segunda demo dos Process of Guilt e, eventualmente, testemunhou o enorme progresso artístico registado em relação à primeira, deve ter ficado com a ideia de que, o que viesse a seguir só poderia ser excepcional. Pois foi ainda melhor. É que «Renounce», o álbum de apresentação do quarteto de Évora, é doom/death ao melhor nível capaz de ombrear com o melhor do género de além fronteiras. Solene e transbordante de emoção, o disco inclui sete lamentos fúnebres alicerçados em riffs tão lentos quanto atroadores, numa atmosfera desolada de vozes angustiadas e melodias melancólicas, onde a banda parece dominar com inteira confiança todos os aspectos da composição. Pela primeira vez denotam-se influências do chamado post-doom (Cult of Luna, Neurosis…), mas o que predomina mesmo é o doom/death tradicional. Perante música tão bem conseguida, a eventual colagem a alguns nomes estabelecidos da cena acaba por se tornar num aspecto pouco relevante, especialmente sabendo que se trata dum álbum de estreia.

in CLIP (Diário de Aveiro), 22 Março 2007

quinta-feira, 15 de março de 2007

PSYOPUS

«Our Puzzling Encounters Considered»
(Metal Blade / Recital, 2007) [9/10]

Como é humanamente possível tocar assim? - é sempre a questão que me assalta a mente por mais vezes que ouça este disco. Esqueçam todas as regras convencionais de composição e tentem imaginar estruturas rítmicas sem padrões repetitivos, completamente esquizofrénicas, dinâmicas, por vezes até hilariantes, e executadas a uma velocidade devastadora. Adicionem agora muita dissonância, uma boa dose de influências jazz, um trabalho de guitarra que bem poderia ser o de Steve Vai em estado mental alterado, uma percussão de fazer cair o queixo e vocais ao estilo hardcore, e talvez fiquem com uma vaga ideia de como soa este segundo álbum dos Psyopus. Em franco contraste com todo este caos organizado o disco inclui dois surpreendentes instrumentais incrivelmente melódicos, sendo precisamente nesta forma particular de lidar com os extremos sonoros que o quarteto norte-americano se distingue de referências incontornáveis como os The Dillinger Escape Plan e todo o movimento mathcore.

in CLIP (Diário de Aveiro), 15 Março 2007

domingo, 11 de março de 2007

Edição de Março 13, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista com Marten Hansen, vocalista dos suecos THIS ENDING (ex- A Canorous Quintet) a propósito do lançamento do álbum de estreia «Inside the Machine».

"Embora isto não seja propriamente uma grande novidade em termos de estilo, penso que o que fizemos é, em muitos pormenores, diferente de outros discos do género"
(Marten Hansen, sobre o novo disco)

quinta-feira, 8 de março de 2007

ANTIQUUS

«Eleutheria»
(Cruz del Sur / Nemesis, 2006) [7/10]

Heavy musculado, bem enraizado no metal tradicional e com uma forte componente progressiva é o que nos trazem os canadianos Antiquus neste segundo disco de originais. Os oito temas que o integram são ricos em passagens elaboradas e em demonstrações individuais de criatividade e domínio técnico, especialmente no que diz respeito aos dois guitarristas da banda que fazem aqui autênticas maravilhas nas seis cordas. De proporções épicas, este é um trabalho conceptual sobre o que parece ser uma história trágico-marítima, cantada por um vocalista que nos melhores momentos se confunde com Rolf Kasparek (Running Wild), mas que deixa a desejar em muitos dos restantes. Também como menos positivo ressaltam certas transições estranhas que soam algo desarticuladas e que se devem provavelmente a uma produção descuidada, e o recurso a riffs demasiado gastos que contrastam com as pretensões elevadas da música. De uma banda que fez um álbum do nível de «Ramayana»(2005) era de esperar um pouco mais.

in CLIP (Diário de Aveiro), 8 Março 2007

quinta-feira, 1 de março de 2007

THIS ENDING

«Inside the Machine»
(Metal Blade / Recital, 2006) [7.5/10]

Lembram-se dos suecos A Canorous Quintet? Pois aqui estão eles de novo, exactamente com a mesma formação, mas com uma abordagem sonora renovada o que justifica a diferente designação colectiva. O death metal manteve-se, mas agora já não tem muito que ver com aquele estilo melódico que tresandou em meados dos 90’s. Em comparação os riffs têm mais punch e são mais groovy. A velocidade é mediana e a secção rítmica usa e abusa do double bass para enaltecer as cadências poderosas que sustentam a densa muralha sónica. Os temas apresentam aspectos técnicos catchy que sobressaem e a voz de Marten Hansen assume agora um tom quase sempre grave, muito embora as letras sejam do mais cliché que é possível ouvir no metal. Com produção e mistura impecáveis, o quinteto consegue, no geral, criar com sucesso algo alternativo sem ficar a milhas de distância do seu próprio passado. Mesmo assim o álbum tem uma dose não desprezável de coisas já ouvidas, e está longe de excelente, ficando a sensação de que uma formação deste calibre seria capaz de algo mais impressionante.

in CLIP (Diário de Aveiro), 1 Março 2007