sexta-feira, 9 de novembro de 2007

VINTERSORG

«Solens Rötter»
(Napalm Records / Recital, 2007) [8/10]

O mundo do metal está repleto de músicos competentes mas escasseia em artistas genuínos como Andreas Hedlund. O sexto álbum de originais da sua banda principal é mais uma experiência bem sucedida no multifacetado universo sónico que o grupo tem vindo a desenvolver nos últimos cinco anos, pese embora o facto de ser todo cantado em sueco (algo que já não acontecia desde «Ödemarkens Son», de 1999), e de impedir, por conseguinte, o acesso a toda uma dimensão lírica que é sempre um valor acrescentado nos Vintersorg. Musicalmente o álbum não se afasta muito dos dois trabalhos anteriores, incluindo passagens dóceis e melódicas onde o registo harmónico nasalado de Hedlund sempre sobressai, bem como uma boa dose de momentos agressivos a remeter vagamente para as correntes black/pagan metal. As composições, com os seus refrões memoráveis e uma pitada do espírito folk nórdico, são invariavelmente elaboradas recorrendo a arranjos de guitarra acústica, piano, violino e flauta. «Solens Rötter» não é um disco fácil. Contudo revela-se altamente apelativo após meia dúzia de audições. Não se admirem pois se acordarem um destes dias a cantarolar em sueco.

in CLIP (Diário de Aveiro), 8 Novembro 2007

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Edição de Novembro, 6, 2007

Na 2º Hora:


Entrevista com Ulf Theodor Schwadorf (aka Markus Stock), guitarrista e baixista dos alemães The Vision Bleak, a propósito do lançamento do álbum «The Wolves Go Hunt Their Prey».

"Este álbum resultou mais pesado porque todas as estruturas básicas dos temas foram escritas para a guitarra, ao contrário dos discos anteriores em que as músicas se desenvolveram em torno de linhas de piano ou temas orquestrais"
(Schwadorf sobre o novo álbum)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

MITHRAS

«Behind the Shadows Lie Madness»
(Candlelight, 2007) [7.5/10]

Num cenário cada vez mais pejado por bandas sem ambição que se contentam em reproduzir modelos já gastos, algumas há ainda que, com engenho, vão inventando os seus próprios nichos sónicos. Os Mithras são um desses raros exemplos. Apesar de erigirem o seu death metal sobre fundações que se associam inequivocamente a Morbid Angel e, em menor escala, a Nocturnus, a formação britânica engendrou uma identidade claramente distintiva que funde de forma sui generis atmosferas cósmicas sci-fi de sintetizadores com hecatombes esmagadoras de riffs e grunhidos guturais. Terminado o hiato que sucedeu ao lançamento do fabuloso «Worlds Beyond the Veil», Leon Macey e Rayner Coss voltam a estremecer as estruturas com o terceiro registo de originais, uma nova viagem astral recheada de pormenores brilhantes e de tecnicismo à flor da pele, mas também mais difícil de assimilar; na verdade até pode soar um pouco inferior ao álbum de 2003, mas nem por isso deixa de ser uma proposta interessante para quem procura metal extremo com uma abordagem inovadora.

in CLIP (Diário de Aveiro), 25 Outubro 2007

sábado, 20 de outubro de 2007

Edição de Outubro 23, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista com Carmen Simões, vocalista dos portugueses AVA INFERI, a propósito do lançamento do álbum «The Silhouette».

"Quando sentimos que temos potencial criativo e acreditamos naquilo que fazemos, temos que lutar por isso. Em Portugal esta determinação é ainda mais importante pois as dificuldades são maiores, quer ao nível de músicos que nem sempre estão dispostos a levar a sério os projectos em que se envolvem, quer ao nível das escassas editoras viradas para sonoridades alternativas"
(Carmen Simões, sobre a sua experiência artística)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

THE VISION BLEAK

«The Wolves Go Hunt Their Prey»
(Prophecy Productions, 2007) [7/10]

Apesar de incorporarem todos os atributos característicos do gótico, os The Vision Bleak sempre soaram mais metal do que a maioria das bandas do género. O terceiro álbum não deixa margem para dúvidas apresentando uma costela ainda mais proeminente de thrash puro e duro reminiscente da fase clássica duns Metallica, ao mesmo tempo que se despe de boa parte dos arranjos sinfónicos e das vozes femininas tão salientes em «Carpathia - A Dramatic Poem», o álbum de 2005. As letras, inspiradas em temas da literatura fantástica de H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, voltam a assumir-se como parte fundamental do álbum e dum certo conceito dos The Vision Bleak, ganhando vida própria através da voz assombrosa de Allen Konstanz e das intervenções ásperas de Ulf Theodor Schwadorf. Intensamente eléctrico e coeso, «The Wolves Go Hunt Their Prey» serve-se como nunca da imponência dos riffs para enaltecer o dramatismo de antigos contos de horror. O resultado tem tanto de poderoso como de requintado, e vale a pena experimentar.

in CLIP (Diário de Aveiro), 18 Outubro 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

THREE

«The End is Begun»
(Metal Blade, 2007) [9/10]

Apesar de publicado por uma das mais lendárias editoras de metal este é sem dúvida o disco menos agressivo a ser comentado neste espaço do Clip. A banda, formada em Woodstock em meados da década passada, faz um hard rock inteligente, com laivos de progressivo, animado, e cheio de ganchos que cativam logo à primeira audição. Mais maduro e inspirado do que o disco anterior, «The End is Begun» apresenta-se como um trabalho recheado de texturas magnificas, ora acústicas ora pesadas, com muitas nuances reminiscentes do art-rock emblemático da década de 70 que remetem para a faceta mais naive dos Led Zeppelin, mas sem soar demasiado revivalista. A voz apaixonante de Joey Eppard afirma-se mais do que nunca como a grande mais-valia do colectivo e é elemento chave no resultado impressionante deste quarto disco de originais. Dos catorze temas em oferta pelo menos dez não permitirão um abandono fácil do leitor de CDs, o que faz deste um álbum para saborear demoradamente e sem preconceitos, mesmo por metaleiros de linha dura.

in CLIP (Diário de Aveiro), 11 Outubro 2007

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Edição de Outubro 9, 2007

Na 2º Hora:


Entrevista com 'Warlord' Nygard, vocalista dos finlandeses TURISAS, a propósito do lançamento do álbum «The Varangian Way».

"Quando chegamos à fase de composição da música foi como se estivéssemos a escrever a banda sonora de um filme imáginário. Toda a parte instrumental foi criada com a intenção de ser muito visual, de forma a sugerir imagens da trama narrada nas letras"
('Warlord' Nygard, sobre o novo álbum)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

FORTID

«Völuspá Part II – The Arrival of Fenris»
(No Colours Records, 2007) [8.5/10]

Völuspá, o poema mais famoso da Edda, obra fundamental da mitologia nórdica do Sec. X, constitui o substrato lírico da rebuscada trilogia que os islandeses Fortid se propuseram realizar, e que teve a sua primeira parte em «Thor’s Anger», lançada em 2003. O segundo capítulo continua musicalmente na linha black/viking metal épica do primeiro, mas é mais lento, melódico e melhor do ponto de vista da composição. Um dos aspectos que ressalta é a forma genial e despretensiosa com que a banda utiliza o órgão e o piano, tanto como elementos de primeiro plano ou apenas de background, criando paisagens sonoras de uma beleza surreal. As linhas de guitarra e os leads encaixam com fluidez em cada momento e o double-bass surge enfático nos instantes oportunos, resultando num trabalho conjunto claramente acima da média. Embora inclua elementos estilísticos que apontam para vários nomes influentes do género (e.g. Falkenbach, Summoning), este segundo álbum da dupla Eldur/Fimbultyr não deixa de ser um trabalho de grande mérito que se recomenda vivamente.

in CLIP (Diário de Aveiro), 4 Outubro 2007

sábado, 29 de setembro de 2007

Edição de Outubro 2, 2007

Na 2ª hora:

CLASSICS I

Grandes clássicos de sempre, escolhidos e apresentados pelos nossos entrevistados.

Por ordem de entrada:
Johan Niemann (THERION), Stefan Weinerhall (FALCONER), Alex Colin-Tocquaine (AGRESSOR), Sander Gommans (AFTER FOREVER), Shagrath (DIMMU BORGIR), Abbath (I), Philipp Jonas(SECRESTS OF THE MOON), Sascha Ehrich (FRAGMENTS OF UNBECOMING) e Fernando Ribeiro (MOONSPELL).

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

TURISAS

«The Varangian Way»
(Century Media, 2007) [9/10]

Apesar de referidos habitualmente como uma banda de folk/viking metal, o que sobressai no novo álbum dos Turisas é o lado sinfónico. O acordeão desenvolto e os solos de violino permanecem como elementos chave na sonoridade do colectivo finlandês, mas a componente orquestral é mais criativa, grandiosa e proeminente do que foi em «Battle Metal», o disco de estreia publicado em 2004, resultando assim num álbum não só francamente superior mas com o seu quê de personalidade própria. Com uma composição cuidada a enveredar menos pelas estruturas previsíveis, «The Varangian Way» inclui oito temas tão épicos quanto possível, por vezes pomposos e frequentemente com os tons cinemáticos de uma banda sonora, o que traz de imediato à mente os ingleses Bal-Sagoth. Os coros clássicos, megalómanos, completam um cenário que remete para algures na Escandinávia do Séc. XI, onde uma horda de guerreiros confraterniza ruidosamente, entoando cânticos sobre sagas heróicas enquanto balançam canecas de cerveja: “Para Holmgard e mais além!...”.

in CLIP (Diário de Aveiro), 27 Setembro 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Edição de Setembro 25, 2007

Na 2º Hora:


Entrevista com Luke Davies, guitarrista e vocalista dos galeses ANTERIOR, a propósito do lançamento do álbum de estreia «This Age of Silence».

"Em conjunto costumamos ensaiar cerca de quatro horas por dia, seis dias por semana. E depois ainda praticamos mais um pouco em casa, individualmente. Para tocar a este nível tem mesmo que ser assim."
(Luke Davies, a confirmar a velha máxima: excelência = 90% de transpiração + 10% de inspiração)

SIGH

«Hangman’s Hymn – Musikalische Exequien»
(Osmose Productions / Recital, 2007) [8.5/10]

Actualmente, black metal é uma designação cada vez mais redutora para descrever a música multi-dimensional desta que é uma das mais lendárias formações do país do sol nascente. Dos primórdios old-school da década passada a banda de Mirai Kawashima passou entretanto por várias mutações artísticas, apresentando-se agora como uma entidade que é tudo menos de fácil categorização. «Hangman’s Hymn» apresenta um trabalho de black/thrash em passo acelerado, com uma profusão de elementos clássicos e de jazz, e muita insanidade à mistura. Mais agressivo do que «Gallows Gallery»(2005), este sétimo álbum vem com uma forte componente sinfónica, por vezes com ares majestosos, coros eruditos ocasionais, e uma composição ainda mais singular. Com muitos momentos brilhantes, alguns mais directos, outros mais rebuscados e cerebrais, o novo Sigh é um conceptual meio torcido, dividido em três partes, cuja gravação contou com a participação de uma mão cheia de músicos bem conhecidos. Um álbum imprescindível para quem aprecia arte verdadeira na sua expressão mais extrema.


in CLIP (Diário de Aveiro), 20 Setembro 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

SALEM

«Necessary Evil»
(Season of Mist, 2007) [6/10]

Formados em 1985, estiveram na vanguarda das vertentes mais extremas do Metal tendo sido até apontados como referência por bandas tão relevantes hoje em dia como os Mayhem. Mas o contributo inovador do colectivo israelita parece ter-se esgotado em 1994 com o lançamento do clássico «Kaddish», após o que a banda migrou musicalmente para territórios death/thrash já muito explorados, pulverizando agora qualquer réstia de integridade artística ao abraçar o popular agro ou groove metal. Dito isto, não será pois surpreendente que a composição deste quinto álbum de originais soe demasiado genérica, com riffs reciclados, muito chuga-chuga e um trabalho de guitarra solo reduzido ao mínimo. Os poucos temas que despertam interesse fazem-no através de raras sequências inspiradas com vozes limpas e/ou femininas e elementos da música tradicional do Médio Oriente. As letras exibem uma musicalidade intrínseca que é rara nestas lides, mas mesmo assim «Necessary Evil» passa no balanço final como um disco pobre em ideias e… desnecessário.

in CLIP (Diário de Aveiro), 13 Setembro 2007

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Edição de Setembro 11, 2007

Na 2º Hora:

Entrevista com Morgan Hakansson, guitarrista e líder dos suecos MARDUK, a propósito do lançamento do álbum «Rom 5:12».

"Para mim é de extrema importância que música e letra se adaptem mutuamente, e neste caso pareceu-me que a mensagem subjacente passava melhor se reduzissemos um pouco no andamento da música"
(Morgan Hakkansson, sobre o álbum mais lento de sempre da história dos Marduk)

sábado, 18 de agosto de 2007

AGHORA

«Formless»
(Season of Mist, 2007) [9/10]

Em 2000 criaram uma onda de surpresa generalizada em torno de um álbum que fundiu magistralmente uma forma muito própria de metal progressivo com sonoridades e texturas exóticas. Apesar de moldado a partir da mesma matéria preciosa de que foi feito esse primeiro disco: uma composição sofisticada e dinâmica com influências que vão desde os elementos orientais ao jazz de fusão e uma execução prodigiosa, «Formless» distingue-se essencialmente pelo novo elenco de músicos que lhe dá corpo, e, em particular, pela ausência do ex-Cynic Sean Malone, ou não fossem as suas linhas de baixo um dos aspectos mais emblemáticos dos Aghora de há sete anos atrás. Mais no centro das atenções aparece agora Santiago Dobles, fundador do colectivo e um virtuoso multifacetado das seis cordas que cruza com fluidez estilos variados, de qualidades metálicas a eruditas. «Formless» é assim um disco magnífico por si só, mas que incorpora, para o bem e para o mal, todas as características inerentes à nova encarnação da banda da Florida.

in CLIP (Diário de Aveiro), 7 Setembro 2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

NON OPUS DEI

«The Quintessence»
(Pagan Records, 2006) [7.5/10]

Black metal ecléctico e tecnicamente elaborado, é a melhor qualificação que ocorre para descrever em poucas palavras este novo longa duração dos polacos Non Opus Dei. As treze faixas em oferta demonstram uma abordagem de composição moderna, vanguardista e inventiva, não sendo de admirar que «The Quintessence» seja um disco intrigante e difícil de assimilar, que precisa de ser escutado com insistência para que algumas faixas ‘agarrem’ finalmente. A maioria dos temas são pautados por parâmetros construtivos que extravasam os estereótipos do género, mas as ideias apresentadas nunca chegam a deslumbrar. O registo vocal, por vezes reminiscente do ex-Mayhem Maniac, é da responsabilidade do guitarrista Klimorh, e inclui algumas partes limpas ou processadas que realçam o tom demente, ritualista ou simplesmente oculto de cada música. De qualidade inconstante, «The Quintessence» poderá revelar-se como uma experiência compensadora para quem procura metal extremo, menos convencional e mais aventureiro.

in CLIP (Diário de Aveiro), 9 Agosto 2007