sábado, 20 de março de 2010

DARK FORTRESS

«Ylem»
(Century Media, 2009) [8/10]

Ultimamente, na área específica do black metal, a produção alemã tem mostrado as suas garras através de um conjunto de lançamentos incontornáveis aos quais se junta agora este novo registo dos Dark Fortress. Se em 2008 o anterior «Eidolon» foi sentido como um dos trabalhos mais bombásticos da banda bem como uma evidente acomodação ao nicho mais ortodoxo do género, «Ylem» volta a aventurar-se para lá dos aspectos tradicionais e previsíveis do black metal, enveredando por territórios que, não constituindo novidade em si, permaneciam ainda intocados na discografia pretérita. Este sexto de originais do colectivo bávaro é assim um disco muito mais apostado na criação de atmosfera, com mais de metade dos temas a rolar entre o meio tempo e o lento, e até com Morean a mostrar em duas ocasiões (“Evenfall” e “Wraith”, este último especialmente evocativo da fase clássica dos Solitude Aeturnus) que sabe cantar como os vocalistas de heavy tradicional. A sonoridade mantém-se relativamente standard mas a composição é primorosa e das mais variadas de sempre, com riffs pontuadamente esmagadores, belíssimas linhas de guitarra de grande inspiração, um fundo subtil de teclados, alguns refrães contagiantes, e uma daquelas produções que até brilha de tão lustrosa. É inevitável não se detectar aqui uma influência mais visível de Celtic Frost o que até é compreensível, mostrando que a passagem de Vic Santura, principal compositor dos Dark Fortress, pela extinta formação liderada por Tom “Warrior”, deixou as suas marcas.

in CLIP (Diário de Aveiro), 18 Março 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

20 Anos -- Death: "Spiritual Healing"

13/03/1990 - 13/03/2010 Um dos principais responsáveis pela direcção que o death metal viria a tomar nos anos seguintes.

Inteligente, intemporal, obrigatório!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

ALTAR OF PLAGUES

«White Tomb»
(Profound Lore, 2009) [8.5/10]

Imaginem um híbrido de post hardcore e doom derivado de uns Neurosis ou Cult of Luna, com uma densa atmosfera drone a sugerir algo de vasto e apocalíptico, uma boa dose de black metal e um sentido épico maior do que a própria vida, e talvez fiquem com uma vaga ideia do que podem esperar deste ambicioso álbum de estreia dos irlandeses Altar of Plagues. Constituído por quatro faixas com durações entre dez a quinze minutos, «White Tomb» é um disco que se desenvolve tão lentamente quanto se possa imaginar, em crescendos que ganham corpo lentamente até explodirem em ondas de riffs arrasadores, percussões colossais e tempestades sónicas de desespero e raiva. A música faz-se de grandes excursões de intensidade com momentos de quase silêncio, linhas distantes de guitarra e camadas de teclados a conferir profundidade, alguns segmentos repetitivamente hipnóticos, e passagens torturadas de doom funerário marcadas por recitações de uma cólera pungente. Embora se situem, musicalmente, longe dos compatriotas Primordial, partilham com estes a convicção apaixonada que imprimem aos momentos mais abrasivos da música. Em termos líricos «White Tomb» move-se por entre questões ecológicas e ambientais, elaborando sobre uma imagem do choque entre civilização e natureza pintada em tons de negro. Apesar dos seus cinquenta minutos de duração, a composição minimalista tende a induzir uma certa sensação de insatisfação; de “saber a pouco”. Todavia, a verdade é que, por vezes, menos é mais, o que é sem dúvida o caso num álbum tão rico e multi-dimensional como este.

in CLIP (Diário de Aveiro), 25 Fevereiro 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

MARDUK

«Wormwood»
(Regain Records, 2009) [8.5/10]

Vinte anos de actividade, onze LPs publicados, uma paixão inesgotável e quase obsessiva pela música que faz, e, sobretudo, uma relevância inegável na cena black metal actual como poucas bandas de segunda geração se podem gabar, são, resumidamente, os traços essenciais do retrato de Morgan Hakansson e dos Marduk. Depois da autêntica reinvenção que foi o extraordinário «Rom5:12», a formação sueca acaba de regressar com um álbum que aponta na mesma direcção desse disco de 2007, embora contenha descargas de blast-beats em doses mais massivas. Apesar disso, são os temas menos rápidos que continuam a sobressair, destacando-se aqui o venenoso “To redirect perdition” e a marcha triunfal “Funeral dawn”. A diversidade de andamentos proporcionam um espaço amplo de manobra para a expressividade vocal de Daniel “Mortuus”, que se mostra aqui – muito mais do que no disco anterior – detentor de qualidades laringicas que lhe permitem ir desde o gutural mais doentio e torturado, até ao bramido asperamente característico do metal desta negritude, passando por alguns detalhes únicos, como a forma como usa a respiração em “Into utter madness”. Não me recordo do anterior Erik “Legion” demonstrar semelhante versatilidade. O baixo de Magnus “Devo” é outro pólo de atracção e a sua proeminência na mistura confere à sonoridade geral um carácter ainda mais espesso e sombrio, particularmente nos segmentos mais lentos. Usando como título a tradução literal da palavra Chernobyl, para alguns sinal de punição divina, «Wormwood» é, segundo o próprio Hakansson, uma celebração do fim dos dias.

in CLIP (Diário de Aveiro), 11 Fevereiro 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

ORPHANED LAND

«The Never Ending Way of ORwarriOR»
(Century Media, 2010) [9.5/10]


Pioneiros do rock mais extremo no médio oriente, acabam de regressar com a sua maior obra de sempre: uma mescla única de folk e prog metal de composição elaborada, repleta de detalhes variados, elementos sinfónicos e texturas exóticas produzidas por instrumentos tradicionais como o bouzouki e o saz (espécies de alaúde), o chumbush (parecido com o banjo) e o santur. A música irradia luz e espiritualidade a todo o momento, destacando-se o trabalho fabuloso de guitarra solo (eléctrica e acústica), pleno de acordes e melodias de uma beleza de cortar a respiração, que nos remetem para lá do imaginário das mil e uma noites. Kobi Farhi canta como nunca cantou na vida, não só em inglês, mas também em hebraico e em árabe, voltando a ser secundado por vezes, e uma vez mais, pela encantadora Shlomit Levi. Pode dizer-se que estamos perante o sucessor natural de «Mabool»(2004), contudo este é um álbum mais experimental e progressivo, incluindo, ao mesmo tempo, mais momentos de atracção imediata, e uma sonoridade que saiu beneficiada pela mistura e produção de Steven Wilson. É também a tentativa mais explícita de sempre do colectivo israelita – admirado, às escondidas, por milhares de fãs do lado palestiniano –, de harmonizar, ao nível musical, lírico e até gráfico, elementos israelitas e árabes, num manifesto simbólico de união que desconhece barreiras políticas e religiosas. Elaborando sobre anseios humanos universais – e utópicos – de paz e tranquilidade, «The Never Ending Way of ORwarriOR» é, acima de tudo, um festim para os sentidos; puro alimento para a alma – o que quer que isso seja.

in CLIP (Diário de Aveiro), 28 Janeiro 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Edição de Janeiro 26, 2010

Entrevista com Kobi Farhi,
vocalista dos israelitas ORPHANED LAND, a propósito do novo álbum «The Never Ending Way of ORwarriOR».

- "Este foi o disco que nos deu mais trabalho a compôr e a gravar. Foram meses de completa reclusão no estúdio. À custa disto ganhei os meus primeiros cabelos brancos! :-)
- "Musicalmente, é um álbum que combina elementos de todos discos anteriores, desde o «Sahara»(1994) até ao «Mabool»(2004); As vozes e a instrumentação folk resultaram, desta vez, bastante mais variadas;
- "Apesar da rivalidade entre israelitas e palestinianos, temos milhares de fãs do lado árabe. Alguns chegaram já a ser presos por nos ouvirem. Penso que isto demonstra bem o poder da música como meio de união entre culturas;
- "Os fãs árabes não gostaram nada que tivéssemos usado versos do Corão. Se tivéssemos representado o profeta Maomé nas fotos promocionais da banda, de certeza que não nos iriam perdoar!";
- "O mundo tem de se livrar rapidamente dos aspectos mais conservadores das religiões. São esses aspectos que nos separam e é neles que reside a fonte de muitos conflitos".
(Kobi)
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

THE FEW AGAINST MANY

«Sot»
(Pulverized Records, 2009) [7/10]

Para um músico prolífico como Christian Alvestam, que já operou em mais de uma dezena de bandas, incluindo os Scar Symmetry, Incapacity e Torchbearer, o que mais poderia servir de motivação para formar um novo projecto? Bom, desta vez nada de mais prosaico do que a vontade de gravar e publicar material que, ao longo dos anos, foi ficando na gaveta por não se adequar às formações em que o guitarrista/vocalista estava a trabalhar no momento. Dito desta maneira até parece que estamos perante uma banda de segunda apanha e um disco feitos de sobras. Mas na verdade não é o caso dado que os TFAM apresentam uma proposta de death metal melódico com pelo menos dois aspectos relevantes. Um tem a ver com os arranjos orquestrais (cordas e coros, típicos de algum black metal), bastante invulgares no contexto do género, cuja delicadeza acentua bem o peso e a densidade da restante sonoridade. O segundo aspecto é que, apesar de toda a melodia, cujas partes de teclados fazem lembrar o trabalho a solo de Dan Swano (Moontower), a brutalidade mecânica das guitarras, as ocasionais explosões devastadoras de blast-beats e o grunhido gutural de Alvestam (que prescinde aqui do registo limpo do tempo dos Scar Symmetry), a par de uma produção a condizer, conferem a este disco uma aura visceral e ameaçadora que remete de certa forma para os clássicos old school do death metal sueco. Com quase todos os temas interpretados na língua materna do colectivo, «Sot» apresenta uma forma relativamente diferente de fazer death metal com melodia, e recomenda-se especialmente aos fãs do género.

in CLIP (Diário de Aveiro), 21 Janeiro 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

THE RUINS OF BEVERAST

«Foulest Semen of a Sheltered Elite»
(Ván Records, 2009) [9.5/10]

No que concerne à franja mais extrema e sombria do espectro metálico, este foi, no balanço final, o disco mais impressionante a surgir em 2009. Ainda que possa ser descrito seguramente como algo na linha do black/doom mais moderno, nenhum rótulo é suficiente para reflectir com rigor o que este trabalho tem para oferecer. Desde logo destaca-se pelas vozes usadas, as quais variam entre um registo limpo por vezes parecido com o de Big Boss dos Root, uma vocalização profunda e meio gutural, e toda a sorte de variantes e efeitos magníficos que resultam numa atmosfera verdadeiramente surreal. Os temas são todos longos, contudo o estilo de composição é de tal forma consistente - apesar da multiplicidade de influências presentes - que os oitenta minutos de duração do disco flúem quase sem nos darmos conta. As guitarras conferem ao álbum uma sonoridade única e absolutamente monstruosa, e os teclados e os samples estrategicamente colocados, criam imagens envolventes de um estranho mundo. E o que é curioso é que toda esta maravilha foi criada por um único músico: Alexander von Meilenwald, talentoso multi-instrumentista alemão que tem vindo a desenvolver este projecto a solo desde que saiu dos Nagelfar, e que criou, com a sua visão singular, neste que é o seu terceiro álbum, uma das experiências sonoras mais geniais e gratificantes dos últimos anos na área do black metal. Se pensam que já não há nada suficientemente épico e megalómano no género capaz de vos arrebatar, então este disco talvez vos faça mudar de ideias. Fica a proposta.

in CLIP (Diário de Aveiro), 14 Janeiro 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Edição de Janeiro 12

Entrevista com Anders Edlund,
baixista dos suecos THE FEW AGAINST MANY a propósito do álbum «Sot».

- "Os temas deste disco foram compostos há bastante tempo pelo Christian (Alvestam, guitarra e voz), e eram simplesmente bons demais para ficar na gaveta";
- "Escolhemos este nome para banda porque, por um lado não se associa de imediato a death metal, e por outro porque somos de facto uma entre muitas bandas no género, mas com algo de único para oferecer";
- "A ideia dos arranjos orquestrais esteve presente desde o início mas levou algum tempo a concretizar. No fim estes elementos funcionaram tão bem que acabaram por surgir em quase todos os temas"

(Anders)
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Edição de Janeiro 5

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- Os Melhores de 2009 -

Em termos de discos brilhantes e criativos, 2009 ficou um pouco aquém da produção registada em anos anteriores. Mas teve, é claro, também a sua dose de lançamentos memoráveis.
A lista apresenta uma selecção dos melhores álbuns do ano, escolhidos exclusivamente entre os discos recebidos os quais preencheram as edições do Cais do Paraíso dos últimos doze meses. Com sempre, não se estabelece nenhuma ordem de preferência relativa - cada álbum é o melhor à sua maneira.

Absu - «Absu»
Blut Aus Nord - «Memoria Vetusta II: Dialogue with the Stars»
Ulcerate - «Everything is Fire»
Obscura - «Cosmogenesis»
Old Man’s Child - «Slaves of the World»
Drudkh - «Microcosmos»
Secrets of the Moon - «Privilegivm»
Diablo Swing Orchestra - «Sing Along Songs for the Damned & Delirious»
The Ruins of Beverast - «Foulest Semen of a Sheltered Elite»
Arkona - «Goi, Rode, Goi!»
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- Os Piores de 2009 -
Os maus discos são como os chapéus: há sempre muitos!
Também seleccionados de entre os discos recebidos, e ordenados por ordem de lançamento no mercado, os álbuns abaixo são para evitar a todo o custo.

Graveland - «Spears Of Heaven»
Earth Crisis - «To the Death»
Lacuna Coil - «Shallow Life»
Haven Denied - «Symbiosys»
Sworn Enemy - «Total World Domination»
Syrach - «A Dark Burial»
Ramming Speed - «Brainwreck»
I Shalt Become - «The Pendle Witch Trials»
Simbiose - «Fake Dimension»
Schelmish - «Die Hasslichen Kinder»

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SECRETS OF THE MOON

«Privilegivm»
(Lupus Lounge, 2009) [9.5/10]

Depois do período conturbado que atravessaram, primeiro motivado pela saída inesperada de Daevas, membro fundador, no início de 2008, e depois pelo abandono do guitarrista A.D., que tão significativamente contribuiu para a criação do último álbum, poucos apostariam num regresso em força dos Secrets of the Moon. Contudo, comprovando a máxima “o que não me mata, torna-me mais forte”, a banda aí está no seu melhor, com um disco que, mais do que brilhante, acrescenta algo de novo ao edifício sónico construído até aqui. Neste quarto registo de originais, a formação alemã, que inclui agora a baixista LSK (que passou pelos nossos Corpus Christii), modera de forma significativa a agressividade explícita das tiradas rápidas do passado, para se concentrar em temas longos que se desenvolvem lenta e gradualmente no seio de atmosferas sinistras, e em riffs cuja imponência se faz sentir até ao decair completo de cada nota. Como em «Antithesis», a composição conserva o seu carácter vanguardista, mas aqui afasta-se ainda mais dos chavões tradicionais do black metal, bem como das subtis referências ao estilo Satyricon patentes nesse disco de 2006. Versos inteligentes como sempre, com alusões veladas a temas da mitologia cristã, são cuspidos em tom inflamado por S. Golden no registo diabólico que lhe é característico, ou declamados convictamente como se de uma oração blasfema se tratasse. Com uma sonoridade assombrosa e um discurso carregado de intenção, «Privilegivm» ressoa como uma proclamação exaltada de uma nova era de escuridão. A luz no fundo do túnel acabou de se extinguir e a esperança foi a primeira a morrer.

in CLIP (Diário de Aveiro), 17 Dezembro 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

THEE ORAKLE

«Metaphortime»
(Recital Records, 2009) [8.5/10]

Provenientes de Vila Real, os Thee Orakle apresentam-se com uma proposta surpreendente, ao nível do melhor metal progressivo de contornos extremos jamais produzido em território nacional. A combinação do vozeirão negro e desesperado de Pedro Silva com o registo luminoso e seguro de Micaela Cardoso - bem ao estilo da ex-The Gathering Anneke van Giersbergen -, a par de uma sonoridade, ao mesmo tempo poderosa e rica em melodia e atmosfera, conferem ao colectivo o mesmo tipo de apelo de outras formações gothic/death. Contudo, esta banda parece ir buscar mais influências prog do que é habitual neste formato, apresentando aqui um conjunto de temas elaborados que integram na perfeição momentos de grande intensidade com longas passagens tranquilas e animadoras, incluindo refrães catchy e solos excelentes que, no seu conjunto, flúem como peças coesas e harmoniosas. Com uma execução irrepreensível e um trabalho de bateria especialmente criativo, «Metaphortime» (um conceptual que tem na alquimia o seu tema de fundo) é um daqueles discos em que é difícil destacar canções em particular porque todas parecem ter sido objecto do mesmo trabalho meticuloso de concepção, do ponto de vista lírico e instrumental, apresentando assim, cada uma, os seus atractivos particulares. A produção de Daniel Cardoso desempenha aqui um papel fundamental no resultado final obtido, e a única coisa que não faz jus à qualidade da música é mesmo a capa do CD. Tirando isso, este é sem dúvida um dos melhores álbuns de estreia na história recente do metal luso.

in CLIP (Diário de Aveiro), 10 Dezembro 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Edição de Dezembro 15

Na 2ª hora:
- CLASSICS V -

Clássicos de sempre dos The Beatles, Ozzy Osbourne, Iron Maiden, Metallica, Paradise Lost e Cynic entre outras, escolhidos e apresentados pelos nossos entrevistados:
Paul Masvidal (CYNIC); Andrew Craighan (MY DYING BRIDE); Johan Söderberg (AMON AMARTH); Ravn (1349); Bruno Fernandes (THE FIRSTBORN) e Proscriptor McGovern (ABSU), entre outros.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

REVOCATION

«Existence is Futile»
(Relapse Records, 2009) [7.5/10]

No ano passado estriaram-se com um álbum espantoso que lhes valeu o epíteto de próxima ‘big thing’ na área do thrash/death metal técnico e a ligação à editora onde se encontram agora ancorados. O segundo longa-duração, lançado apenas dezasseis meses depois, confirma a excelência do trio de Boston destacando em particular a destreza do guitarrista David Davidson que nos volta a brindar com leads de atordoar, acenando influências que vão desde Michael Amott a Devin Townsend, passando por virtuosos clássicos como Marty Friedman. Mas para além deste lado técnico proeminente (que é sempre um valor acrescentado neste tipo de música) e do talento que o colectivo evidencia na forma como integra uma série de apontamentos refrescantes que vão beber a tudo o que é menos convencional na música extrema, a sonoridade e o estilo base adoptados neste novo trabalho – quase sempre veloz e farto em blast beats – apresenta muitos dos atributos do death metal melódico e do furacão deathcore que caracteriza bandas como As I Lay Dying e Darkest Hour. A aproximação a esta corrente está, aliás, bem patente nos registos vocais de Davidson e do baixista Anthony Buda, e francamente soa um pouco estranha nos Revocation se considerarmos que esteve quase totalmente ausente do disco anterior e se trata, no fim de contas, de algo já muito mastigado. Apesar deste ponto a desfavor e da qualidade inconstante dos doze temas, «Existence is Futile» inclui o bastante em termos de momentos de génio para fazer corar de inveja muitas bandas supostamente com “créditos firmados”.

in CLIP (Diário de Aveiro), 19 Novembro 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Edição de Novembro 10, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com David Davidson, guitarrista e vocalista dos norte-americanos REVOCATION, a propósito do novo álbum «Existence is Futile».

- "Ao contrário do disco anterior, neste novo álbum incluímos alguns temas curtos e expandimos um pouco mais o nosso lado progressivo e as nossas influências";
- "Sim, o Marty Friedman é uma das minhas grandes influências. Outros guitarristas importantes para mim como músico são o Dimebag Darrel, o Zakk Wylde e o Daniel Mongrain (dos Martyr);
- "Em Abril de 2010 iremos tocar no Neurotic Deathfest, na Holanda, e por essa altura é provável que façamos mais algumas datas na Europa. Mantenham-se pois sintonizados!"
(David)
>>> Click on the picture to download the full interview

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

HO-CHI-MINH

«It Has Begun»
(Raging Planet, 2009) [6.5/10]

O que seduz desde logo neste álbum de estreia do colectivo de Beja é a forma como aliam excertos electrónicos criativos a uma base sónica feita de construções pesadonas e simples com o seu quê de industrial, que se associam ora ao metalcore ora ao nu-metal. Eficaz e directa, a música oscila entre momentos de pura agressão e refrães melódicos cujo apelo imediato se deve em grande medida ao vocalista Skatro e ao notável registo limpo que imprime nestas ocasiões, as quais surgem intercaladas entre passagens de expressão vocal mais típica do hardcore. A excelente produção de Eddy Apolónia não fica a dever nada aos trabalhos nacionais gravados com os produtores da berra, e confere ao disco um som vivido que realça bem o poder esmagador dos riffs. Fico com alguma pena que a banda não tenha gravado todos os quatro temas da demo de 2004 (o disco inclui apenas dois), dado que estes não iriam certamente destoar, muito pelo contrário. O contraste acima referido entre os elementos sintéticos e a força bruta das guitarras funciona de facto tão bem que dá para lamentar o facto de não terem levado esta simbiose um pouco mais longe, por exemplo fazendo sobressair os apontamentos electrónicos mais no meio dos temas e não apenas quase só no início. Mesmo assim «It Has Begun» é um trabalho sólido e electrizante que não só promete bons momentos de headbanging, como não deixa dúvidas quanto ao talento deste quinteto alentejano.

in CLIP (Diário de Aveiro), 5 Novembro 2009