quarta-feira, 20 de maio de 2009

BLUT AUS NORD

«Memoria Vetusta II: Dialogue with the Stars»
(Candlelight, 2009) [9/10]

Apesar de uma certa atitude ‘low profile’ que passa por não tocar ao vivo, manter o anonimato dos músicos e conceder o mínimo número possível de entrevistas, os Blut Aus Nord são cada vez mais um nome incontornável no que toca à inovação de sonoridades na área do black metal. Neste que é, supostamente, a segunda parte de um trabalho homónimo publicado em 1996 (com o qual tem muito pouco em comum, diga-se), o misterioso colectivo francês volta a orientar a sua visão sónica muito pessoal numa direcção mais agressiva (do que em «Odinist») favorecendo também composições mais longas e dinâmicas. Os nove temas são ricos em extensos segmentos instrumentais onde sobressai o característico timbre pouco distorcido mas sempre desolado das guitarras, que se faz ouvir nas melodias místicas dos leads e nas dissonâncias sombrias das transições. Como sempre o duplo baixo é proeminente e a bateria é simples e algo industrializada, mas é assim que resulta eficaz mesmo nas sequências rítmicas mais elaboradas. O registo abrasivo de Vindsval ecoa sempre abafado e de forma quase indistinguível dos restantes instrumentos, e o trabalho de teclados no background é essencial para amornar a atmosfera gélida e sinistra da música. «Memoria Vetusta II» é uma experiência intensa que remete para lá da esfera da consciência; para uma dimensão onírica, tenebrosa e bizarra, mas simultaneamente de uma beleza transcendente.

in CLIP (Diário de Aveiro), 21 Maio 2009

3 comentários:

csa disse...

Muito bem. O teu artigo, além de crítico, é poético, como a música a que se refere.
Dá vontade de ir ouvir a música (se ainda não se ouviu) ou de ir ouvir novamente (se já se ouviu).
E é isso que eu vou fazer de seguida, enquanto termino o que ainda tenho de fazer aqui.
Eis uma boa maneira de acompanhar o trabalho!

CAIS DO PARAÍSO disse...

Olá Cristina,
Isso é uma coisa que eu, infelizmente, não consigo fazer - trabalhar e ouvir música. Pelo menos não com este tipo de música. É demasiado absorvente.
EM

csa disse...

Por acaso, tenho um bocado o mesmo problema!!!
Por isso, me atraso tanto e tenho vários CDs para ouvir. :(
Mas consigo fazê-lo para certos trabalhos, mesmo assim.