domingo, 8 de Novembro de 2009

Próxima edição: Novembro 10, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com David Davidson, guitarrista e vocalista dos norte-americanos REVOCATION, a propósito do novo álbum «Existence is Futile».

- "Ao contrário do disco anterior, neste novo álbum incluímos alguns temas curtos e expandimos um pouco mais o nosso lado progressivo e as nossas influências";
- "Sim, o Marty Friedman é uma das minhas grandes influências. Outros guitarristas importantes para mim como músico são o Dimebag Darrel, o Zakk Wylde e o Daniel Mongrain (dos Martyr);
- "Em Abril de 2010 iremos tocar no Neurotic Deathfest, na Holanda, e por essa altura é provável que façamos mais algumas datas na Europa. Mantenham-se pois sintonizados!"
(David)
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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

HO-CHI-MINH

«It Has Begun»
(Raging Planet, 2009) [6.5/10]

O que seduz desde logo neste álbum de estreia do colectivo de Beja é a forma como aliam excertos electrónicos criativos a uma base sónica feita de construções pesadonas e simples com o seu quê de industrial, que se associam ora ao metalcore ora ao nu-metal. Eficaz e directa, a música oscila entre momentos de pura agressão e refrães melódicos cujo apelo imediato se deve em grande medida ao vocalista Skatro e ao notável registo limpo que imprime nestas ocasiões, as quais surgem intercaladas entre passagens de expressão vocal mais típica do hardcore. A excelente produção de Eddy Apolónia não fica a dever nada aos trabalhos nacionais gravados com os produtores da berra, e confere ao disco um som vivido que realça bem o poder esmagador dos riffs. Fico com alguma pena que a banda não tenha gravado todos os quatro temas da demo de 2004 (o disco inclui apenas dois), dado que estes não iriam certamente destoar, muito pelo contrário. O contraste acima referido entre os elementos sintéticos e a força bruta das guitarras funciona de facto tão bem que dá para lamentar o facto de não terem levado esta simbiose um pouco mais longe, por exemplo fazendo sobressair os apontamentos electrónicos mais no meio dos temas e não apenas quase só no início. Mesmo assim «It Has Begun» é um trabalho sólido e electrizante que não só promete bons momentos de headbanging, como não deixa dúvidas quanto ao talento deste quinteto alentejano.

in CLIP (Diário de Aveiro), 5 Novembro 2009

domingo, 11 de Outubro de 2009

Edição de Outubro 13, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Skatro (João Ramos), vocalista dos portugueses HO-CHI-MINH, a propósito do álbum de estreia «It Has Begun».

- "Para nós este é um álbum perfeito no sentido em que foi feito com o produtor que escolhemos, da maneira como quisemos, tendo o resultado saído até melhor do que esperávamos";
- "... sem dúvida aquilo que mais nos distingue de tudo o resto é a componente electrónica";
- "Simpatizamos desde logo com o nome Ho-Chi-Minh porque soa bem e é diferente de tudo o resto. É o nome de um líder revolucionário mas também se traduz por "aquele que ilumina, aquele que liberta", significado que acabou por se tornar a razão principal para mantermos este nome."
(Skatro)
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sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

DRUDKH

«Microcosmos»
(Season of Mist, 2009) [8.5/10]

Fizeram-se notar desde o primeiro disco, «Forgotten Legends», em 2003, e são actualmente um dos fenómenos mais recentes a emergir da obscuridade do underground, impulsionados apenas pela modesta promoção de uma pequena editora (a banda não concede entrevistas nem dá concertos) e pelo fascínio que exercem numa horda cada vez mais numerosa e entusiástica de fãs. O que fazem é nitidamente black metal, mas segundo uma versão atmosférica e épica que transporta muito da alma do seu país de origem, a Ucrânia. Este sétimo disco de originais alinha-se na mesma direcção do álbum anterior, «Estrangement», baseando-se em andamentos predominantemente moderados a lentos, por vezes a roçar o doomy, longas passagens instrumentais com fraseados que se repetem como mantras gerando por vezes uma certa tensão, e uma ambiência que sugere algo de contemplativo. Mas há também diferenças notórias e bem-vindas em relação ao disco de 2007. Em «Microcosmos» a música aparenta mais elementos progressivos e é em geral mais refinada. A malha de riffs tem nuances folk mais vincadas (não se trata, no entanto, de folk metal) que fazem lembrar por vezes os irlandeses Primordial. As secções calmas são mais profundas e expansivas e os solos de guitarra são os mais inspirados de sempre. Em suma, qualidades que fazem deste álbum uma experiência sónica ímpar, confirmando ao mesmo tempo as boas razões que tínhamos para considerar este como um dos discos mais aguardados de 2009.

in CLIP (Diário de Aveiro), 8 Outubro 2009

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

AHAB

«The Divinity of Oceans»
(Napalm Records, 2009) [8/10]

Enquanto a maioria dos grupos se esquiva de rótulos que os associem a géneros ou subgéneros musicais, os Ahab descrevem-se orgulhosamente como uma banda de ‘nautik funeral doom metal’. ‘Nautik’ por causa do fascínio que as sagas marítimas sempre exerceram sobre a banda, desde a sua formação, em 2004, que motivou a criação de um álbum de estreia baseado na obra “Moby Dick”, o clássico da literatura de Herman Melville, sendo este segundo disco mais um conceptual inspirado desta vez em “In the heart of the sea”, o livro de Nathaniel Philbrick que relata a tragédia do baleeiro Essex, famoso desastre marítimo do Sec. XIX que culminou em actos desesperados de canibalismo no seio da tripulação sobrevivente. Com uma sonoridade expandida e renovada (que torna, agora, a qualificação de ‘funeral’ um tanto forçada), o novo álbum inclui desta vez vários segmentos tranquilos, atravessados por linhas melódicas, etéreas e magnificas de guitarra, que surgem entre as partes mais impiedosas, resultando num trabalho mais equilibrado. Outro aspecto inédito é o registo limpo de Daniel Droste, um canto singular em timbre grave que ele alterna com o seu grunhido cavernoso, e que prevalece como um dos aspectos mais atractivos do disco. Marcado por influências que vão desde o doom clássico dos Solitude Aeturnus ao estilo mais arrastado e atmosférico dos Morgion, «The Divinity of Oceans» soa tão épico e trágico com o próprio mar e é o primeiro grande trabalho da formação alemã.

in CLIP (Diário de Aveiro), 17 Setembro 2009

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Edição de Setembro 22, 2009

Na 2ª Hora
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Entrevista com Daniel Hakansson, guitarrista e vocalista dos suecos DIABLO SWING ORCHESTRA, a propósito do novo álbum «Sing-Along Songs for the Damned & Delirious».
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- "Quando fizémos o primeiro álbum não conheciamos ainda nenhuma banda de metal com elementos sinfónicos e voz feminina. Por isso estavámos convencidos que eramos uma banda muito original!";
- "Como DSO estamos receptivos a todos os tipos de música, especialmente à música folk de todo o mundo que representa para nós uma fonte inesgotável de inspiração";
- "Gostamos de música pesada assim como de música dançavel, por isso vamos continuar a misturar as duas";
- "Somos o tipo de banda que ou se ama ou se detesta. Não há muito espaço para meios termos".
(Daniel)
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terça-feira, 15 de Setembro de 2009

OLD MAN’S CHILD

«Slaves of the World»
(Century Media, 2009) [9/10]

A postura recatada e pouco extravagante encobre um pequeno génio na fina arte de criar black metal, e o novo álbum dos Old Man’s Child, para todos os efeitos práticos o seu projecto a solo, é mais um testemunho dessa mestria. Falamos, é claro, de Galder e deste novo disco, um trabalho pautado por uma composição de grande nível, recheado de bons riffs, e genericamente mais acelerado e eficaz do que o anterior «Vermin». Mantendo a tradição de contratar apenas entre a nata dos bateristas de metal para as sessões de gravação, o músico norueguês, que executa aqui todos os restantes instrumentos, colocou desta vez atrás do kit Peter Wildoer, homem dos Darkane e Pestilence, que brilha em cada mudança repentina de andamento e nas varias texturas rítmicas com que enriquece o disco. Com Galder envolvido nos Dimmu Borgir há quase dez anos era inevitável que, mais tarde ou mais cedo, algumas influências transbordassem para os OMC, sendo isso exactamente o que acontece, pela primeira vez de maneira mais evidente, neste sétimo de originais. No entanto também não é nada para alarmar pois o álbum mantém, em todos os aspectos, a marca distinta da banda incluindo a voz venenosa do seu mentor. Com um som ao mesmo tempo possante e polido, trabalhado uma vez mais nos lendários estúdios Fredman por Fredrik Nordström, «Slaves of the World» é talvez um dos registos mais conseguidos da banda de Galder, que assim reafirma o seu estatuto como um nome de referência no panorama black metal de cariz mais melódico.

in CLIP (Diário de Aveiro), 10 Setembro 2009

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

RAZOR OF OCCAM

«Homage to Martyrs»
(Metal Blade, 2009) [8/10]

Na filosofia, a navalha de Occam refere-se ao princípio que permite purgar um modelo da realidade de postulados infundados desprovidos de qualquer poder explicativo. No disco em apreço, todo ele centrado na temática do conflito entre ciência e religião, e fortemente inspirado na obra dos grandes intelectuais do chamado Novo Ateísmo: Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, entre outros, o postulado a extirpar é claramente toda a noção de entidades sobrenaturais desnecessárias - deuses. Em contraste com este background lírico algo rebuscado, a música, uma mistura arrasadora de thrash old-school e black metal, é bem mais padronizada, mas soma pontos pela vitalidade que a banda lhe injecta à conta de riffs memoráveis, leads de guitarra rasgados e torrentes brutais de blast-beats debitados com uma convicção assustadora. O som dos estúdios Necromorbus deixa transparecer todos os detalhes instrumentais mas ostenta ao mesmo tempo um tipo de sujidade e aspereza que traz à memória nomes como Angel Corpse, os lendários Order from Chaos e até Absu. Embora o colectivo tenha origem na Austrália (reside actualmente no Reino Unido) e inclua dois membros dos Destroyer 666, este álbum de estreia mostra que os Razor of Occam estão empenhados numa abordagem comparativamente mais frenética e destruidora. Com um poder de impacto que não chega ao nível de um «Reign in Blood» como sugerido exageradamente pela editora, «Homage to Martyrs» constitui ainda assim a melhor meia hora de metal que ouvi nos últimos meses.

in CLIP (Diário de Aveiro), 10 Setembro 2009

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Edição de Setembro 8, 2009

Na 2ª Hora
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Entrevista com Cornelius Althammer, baterista dos alemães AHAB, a propósito do novo álbum «The Divinity of Oceans».
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- "Penso que desta vez fizémos mesmo Arte. Em comparação, os nossos primeiros trabalhos foram apenas tentativas de por em prática algumas ideias brilhantes";
- "Inicialmente, quando formamos a banda, a intenção era criar algo na linha de Nile, mas em 'slow-motion'";
- "Resolvemos adoptar o mar como tema genérico porque é algo que nos inspira mistério, parecendo pois adequado ao tipo de música lenta e negra que fazemos".
(Cornelius)
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segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

1349

«Revelations of the Black Flame»
(Candlelight, 2009) [7/10]

Se não soubesse, não diria que é o novo álbum dos 1349. É que, até ao disco anterior, lançado em 2004, a banda norueguesa era conhecida por produzir um black metal demolidor, dominado inteiramente por catadupas de blast-beats capazes de provocar a combustão espontânea de meia dúzia de igrejas, enveredando agora, inesperadamente, por uma mudança sonora tão radical que os deixa praticamente irreconhecíveis. Surpreendam-se pois porque este quarto álbum é feito sobretudo de elementos ambientais com alguns toques industriais, e onde o pouquíssimo black surge profundamente diluído numa atmosfera minimalista e sombria (com influências marcadas de Celtic Frost) que é mais característica do doom. Para ser mais preciso, apenas dois dos nove temas tem algo que ver com o passado da banda. Por acaso estes até figuram provavelmente entre as melhores músicas compostas pelo grupo, o problema é que as passagens ambientais, para além de numerosas e longas, resultam ou inconsequentes, ou mesmo maçadoras numa boa parte dos casos. A surpreendente interpretação do original dos Pink Floyd “Set the controls for the heart of the sun”, acredite-se ou não, assenta como uma luva no espírito do álbum. Embora não se equipare aos trabalhos de black metal moderno lançados recentemente, «Revelations...» marca uma viragem experimental bem-vinda nos 1349, que não só os afasta de um estilo, convenhamos, desgastado, como poderá ser o ponto de partida para voos criativos bem mais interessantes.

in CLIP (Diário de Aveiro), 23 Julho 2009

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

ULCERATE

«Everything is Fire»
(Candlelight, 2009) [8.5/10]

O primeiro contacto suscita associações imediatas com o som de bandas como Morbid Angel ou Immolation. Uma das semelhanças mais evidentes advém da poderosíssima secção rítmica de sonoridade densa e esmagadora, que evoca constantemente imagens titânicas de mega tonelagem ameaçadora em movimento desenfreado. Os riffs dissonantes e a composição muito complexa, caótica por vezes, que só ocasionalmente deixa perceber padrões estruturais recorrentes, a par de um vocalista com um registo cavernoso muito próximo do de Ross Dolan, constituem outras similitudes. Mas há também aspectos em que o death metal deste colectivo Neozelandês os demarca das bandas supra. Um dos mais salientes é o recurso a segmentos calmos, vagarosos e desolados, que trazem à memória os Neurosis, e que surgem em alguns temas com um efeito notável. Mais importante ainda é o trabalho irrequieto de bateria de Jamie Saint Merat que nunca se mantém no mesmo ritmo por mais que alguns segundos, e muda de velocidade com uma subtileza jamais vista - uma exibição de cortar a respiração! Com um engenhoso duo de guitarras que torcem, contorcem e voltam a torcer cada acorde, «Everything is fire» deixa a sensação de uma experiência exaustiva e de intensidade monstruosa, embora possa soar - enganadoramente - pouco variado numa primeira abordagem, requerendo pois uma audição atenta para produzir dividendos compensadores. Um nível de volume generoso é imprescindível para o efeito.

in CLIP (Diário de Aveiro), 16 Julho 2009

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

GNOSTIC

«Engineering the Rule»
(Season of Mist, 2009) [7/10]

Incluem três músicos dos lendários Atheist, entre os quais o genial Steve Flynn, e movem-se muito perto do estilo dessa mesma banda, mais até do que seria razoável esperar. Este álbum de estreia é assim uma proposta de death metal numa abordagem muito técnica e plena de mostras de virtuosismo, em que as semelhanças com Atheist se denunciam não só pela assinatura distinta e criativa da bateria de Flynn mas também por via dos apontamentos de guitarra e baixo, e do estilo característico de composição invulgarmente sofisticado. É provável que esta parecença, um tanto exagerada, se possa dever ao facto dos Gnostic terem sido formados no início de 2005, numa altura em que o reagrupamento dos Atheist não era ainda uma realidade. Mas há também alguns aspectos divergentes a salientar, como é o caso da sonoridade mais pujante e as descargas vocais furiosas de expressão hardcore. A composição é, em geral, menos estruturada e mais confusa a ponto de resultar em temas que deixam para trás pouco de memorável. Maioritariamente constituído por temas gravados em demo-tapes há três e quatro anos atrás, «Engineering the Rule» (título que sugere uma reformulação de regras musicais) é um disco abundante em detalhes instrumentais cuja descoberta exige uma audição atenta, algo que fará com certeza as delícias dos incondicionais do metal mais elaborado. Esperemos é que o álbum de regresso dos Atheist, previsto para o final do ano, não transforme rapidamente os Gnostic num projecto redundante.

in CLIP (Diário de Aveiro), 9 Julho 2009

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Edição de Julho 7, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Ravn, vocalista dos noruegueses 1349, a propósito do novo álbum «Revelations of the Black Flame».

- "Quando formei a banda, em 1997, tive desde logo a ideia de fazer quatro álbuns. O quarto (ou seja «Revelations...») iria estabelecer um novo standard no black metal";
- Penso que a identidade original dos 1349 continua bem presente neste disco, com a diferença que, desta vez, optamos antes por colocar em primeiro plano toda a negritude que esteve sempre subjacente à agressão extrema dos discos anteriores";
- "Este é um disco de transição. Um álbum de passagem para um novo estádio, para além do inferno. É no contexto deste novo "lugar" que iremos desenvolver o próximo disco".
(Ravn)
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sexta-feira, 26 de Junho de 2009

OBSCURA

«Cosmogenesis»
(Relapse Records, 2009) [8.5/10]

Quem aprecia metal técnico, daquele tipo em que o virtuosismo gritante dos músicos nos deixa de queixo caído, abananados, a perguntarmos como é possível tocar assim, não deve perder este disco por nada. Embora venha rotulado como death metal a música aqui presente afasta-se sobremaneira dos lugares comuns do género, incorporando elementos neoclássicos nas estruturas de base assim como nos magníficos solos que transbordam de influências de ícones da guitarra, como Yngwie Malmsteen entre outros. Frenético e demolidor mas com interregnos amenos a fazer o contraponto, «Cosmogenesis» é um trabalho rico em momentos brilhantes onde a composição, apesar de intrincada, resulta em temas que funcionam como um todo coerente. É impossível não detectar referências sonoras a bandas como Death e Cynic, esta última evidente por causa da voz processada que Steffen Kumerer usa ocasionalmente, em adição a registos vocais mais standard do death e do black metal. Outro nome incontornável é Necrophagist, não só pelo estilo tecnicista análogo (embora os Obscura sejam mais melódicos e prescindam da componente grind destes) mas também pelo facto da formação alemã incluir dois membros - autênticos prodígios nos respectivos instrumentos - do colectivo que gravou «Epitaph». E como se tanto talento não bastasse a banda conta ainda com Jeroen Thesseling, o baixista que integrou os Pestilence da fase «Spheres», cujo fretless realça pinceladas de jazz de fusão, sendo um elemento fundamental na malha sonora registada no disco. Sem dúvida, um grande trabalho a assinalar em 2009.

in CLIP (Diário de Aveiro), 25 Junho 2009

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Edição de Junho 16, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Steve Flynn, baterista dos norte-americanos GNOSTIC (e Atheist) a propósito do álbum «Engineering the Rule».

- "De facto os Gnostic estão, musicalmente, próximos dos Atheist e isso deve-se, em parte, ao meu contributo pessoal nas duas bandas como executante e como arranjador";
- "Queria que as pessoas avaliassem a nossa música pelo mérito que ela tem, mas reconheço que isso vai ser difícil, particularmente para os fãs de Atheist";
- "Tocar este tipo de música é sempre um desafio; é tão excitante como resolver um puzzle complexo. Nunca é aborrecido. Uma banda envolve sempre coisas chatas e algumas frustrações, portanto é bom que haja algo que se faça com prazer e de forma apaixonada!";
- "Comecei a tocar bateria por causa dos Rush. Fiquei fascinado com o Neil Peart e sempre quis recriar a sua forma de tocar".
(Steve Flynn)
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sexta-feira, 5 de Junho de 2009

BILOCATE

«Sudden Death Syndrome»
(Daxar Music, 2008) [8/10]

São um dos mais recentes fenómenos a emergir do Médio Oriente, mais concretamente da Jordânia, onde a música extrema ainda é vista como uma séria ameaça para os ideais religiosos. O trabalho do colectivo chega até nós através deste brilhante registo que combina doom e death metal de uma maneira que, por vezes, sugere Orphaned Land e Novembers Doom. Nas passagens mais calmas é também reminiscente da marca progressiva dos Opeth, aspecto que surge reforçado inevitavelmente pela co-produção e mistura de Jens Bogren. Os instrumentos tradicionais (e.g. oud e tabla) e os padrões rítmicos típicos das arábias, abraçados por tantas bandas provenientes desta região do globo, são aqui um elemento algo secundário, pelo que a música soa quase sempre muito ocidental. O ambicioso “Blooded forest” destaca-se como o tema mais representativo de todo o álbum. Com riffs excelentes a meio-tempo, segmentos atmosféricos, ora dramáticos ora grandiosos, belos excertos em piano e toda uma série de detalhes atractivos de composição, resultam num épico que consegue a proeza de prender a atenção durante todos os dezassete minutos da sua duração. Fartos das proibições impostas pelo regime teocrata do seu país de origem, as quais não permitiram mais do que uns míseros quatro concertos num espaço de seis anos, os Bilocate mudaram-se recentemente para o emirado do Dubai estando agora mais livres para, finalmente, dar largas a esta forma de expressão que não conhece fronteiras geográficas, culturais ou religiosas.

in CLIP (Diário de Aveiro), 11 Junho 2009