sábado, 26 de abril de 2008

HATE

«Morphosis»
(Listenable Records, 2008) [9/10]

Há cerca de dois anos encabeçavam a lista negra de bandas a abater criada pelo ultra conservador polaco Ryszard Nowak ao mesmo tempo que, indiferentes a controvérsias, inauguravam uma era sónica renovada com a introdução de elementos industriais no seu, até aí, death metal tradicional. Foi o ano do álbum “Anaclasis - A Haunting Gospel of Malice & Hatred”. Em Morphosis” Atf Sinner e Cia trazem-nos mais algumas mudanças. Os sons sintéticos continuam lá, mas agora identificam-se mais com elementos ambientais ou de electrónica futurista do que propriamente com sonoridades industriais. Apesar de rico em rajadas ultra rápidas capazes de pulverizar uma pequena comunidade católica (!), este sexto longa duração é, em média, acentuadamente mais lento, apresentando até algumas passagens melódicas ao longo dos seus oito temas. Sem grande pretensiosismo técnico e mais concentrado numa composição consistente e direccionada para os aspectos essenciais da agressão e do groove, “Morphosis” é sobretudo uma indispensável lufada de ar fresco no death metal actual, dum colectivo que ainda há pouco tempo carregava o epíteto de “ameaça para a ordem democrática”.

in CLIP (Diário de Aveiro), 24 Abril 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

ROOT

«Daemon Viam Invenient»
(Shindy Productions, 2008) [6/10]

Ser conhecido e respeitado em todo o mundo sem nunca ter beneficiado, em vinte anos de carreira, da ajuda da máquina promocional de uma grande editora, é talvez uma das melhores definições do que é ser uma ‘banda de culto’. Depois de criarem com «Madness of the Graves» um dos trabalhos mais acessíveis de sempre, os lendários Root regressam ao ecletismo de registos anteriores com um disco que cruza elementos diversos, desde o dark/death metal ao gótico e até ao blues, mas que tem sobretudo a marca peculiar do colectivo Checo. Ao mesmo tempo, este é um dos álbuns menos inspirados dos últimos anos, com algumas faixas enfadonhas e até dispensáveis, e uma certa incoerência interna que faz com que soe por vezes como uma compilação de músicas soltas unidas apenas pelo mesmo fio condutor lírico. Em grande medida o disco só não descamba para um completo fiasco graças ao magnífico e amplo espectro vocal do carismático Big Boss, que parece continuar no seu melhor apesar dos seus já 55 anos de idade (!). Enfim, um momento menos feliz para os Root que nos deixa a aguardar ainda mais ansiosamente pelo próximo álbum.

in CLIP (Diário de Aveiro), 17 Abril 2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

15 e 22 de Abril, 2008

Edições especiais dedicadas ao maior festival português de música extrema, o SWR Barroselas Metalfest, referência incontornável actual no roteiro europeu de festivais de metal.

Por essa vila do concelho de Viana do Castelo, vão passar este ano, nos 3 dias em que decorre o evento, um total de 42 bandas, entre as quais se incluem:
ENSLAVED, BRUJERIA, NIFELHEIM, FLESHCRAWL, REGURGITATE, ROTTEN SOUND, URGEHAL, SATURNUS e MAR DE GRISES.



domingo, 6 de abril de 2008

Edição de Abril 8, 2008

Na 2º Hora:

Entrevista com Atf Sinner, guitarrista/vocalista e líder dos polacos HATE a propósito do último álbum, "Morphosis".

- "Awakening of the Liar"(2003) foi o nosso derradeiro disco de death metal tradicional. Inovar a partir daqui implicou a introdução de novos elementos - no caso, industriais"
- "Trabalhar com samples industriais é sempre 'perigoso', pois a primeira impressão que tens é que quanto mais samples adicionas, melhor. O problema é que não passa disso mesmo: uma impressão.
- "O conteúdo lirico de "Morphosis" é sem dúvida satânico, embora não assuma a perspectiva tipíca da blasfémia barata. Trata-se sim duma abordagem mais filosófica e ocultista."
- "Há dois anos viveu-se na Polónia um período de verdadeira caça às bruxas. A maioria das bandas com inclinações minimamente satânicas foram proíbidas de tocar ao vivo"
(Atf Sinner)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

DARK SUNS

«Grave Human Genuine»
(Prophecy Productions, 2008) [8/10]

Conseguir uma identidade sonora única é, talvez, a principal aspiração da maioria das bandas. Os Dark Suns estiveram já muito perto disso mas, conscientemente ou não, dão agora um passo atrás nesse processo com um álbum que tresanda a Pain of Salvation, Fates Warning e outros quantos nomes da cena progressiva. Contudo este é um daqueles casos em que a excelência quase que desculpa a colagem, por mais escandalosa que possa parecer. “Grave Human Genuine” é de facto um disco maravilhoso de metal progressivo, de melodias mágicas de guitarra e piano, e um sem número de detalhes que se revelam a cada audição. A música percorre uma vasta gama de sonoridades, texturas rítmicas e estados de espírito, com apontamentos electrónicos e pinceladas pontuais de instrumentos menos convencionais. Gravado com a participação de Kristoffer Gildenlow (ex-baixista dos Pain of Salvation), este multifacetado terceiro registo do colectivo germânico peca apenas pelas duas últimas faixas, demasiado minimalistas e pouco ambiciosas em comparação com o restante material, mas é, ainda assim, um trabalho deslumbrante.

in CLIP (Diário de Aveiro), 3 Abril 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Edição de Abril 1, 2008

Na 1ª Hora

Passatempo Ancient Ceremonies

Oferta de seis (6) cópias da MEGA edição #14 da revista Ancient Ceremonies

Inclui:
- 25 entrevistas com bandas como Obituary, Marduk. Immolation, DHG, Dimmu Borgir, Mayhem, Desaster, Corpus Christii, The Vision Bleak, After Forever, entre outras;

- Centenas de reviews de CDs e DVDs;
- Total de 100 páginas;
- CD compilação com 19 bandas e 79 minutos

HEGEMON

«Contemptus Mundi»
(Season of Mist/Underground Activists, 2008) [7.5/10]

Confinados durante mais de dez anos à obscuridade do circuito underground francês, os Hegemon apresentam-se finalmente ligados a uma editora à altura da sua competência e com um novo disco que lhes perspectiva o merecido reconhecimento além fronteiras. As primeiras voltas a «Contemptus Mundi» são suficientes para perceber o quanto a banda progrediu durante este hiato de seis anos que se seguiu ao lançamento do álbum «By this I Conquer», numa direcção musicalmente mais elaborada, mas, ainda assim, fiel à sua orientação black metal de terceira geração. A habilidade com que o quarteto gaulês engendra estruturas rítmicas apelativas, alternâncias de velocidade, riffs melódicos espectaculares e até coros que convidam a acompanhar, é bem patente em alguns dos temas. Pontuado por alguns segmentos acústicos e samples de filmes alusivos aos temas bélicos que servem de mote às letras, este é um disco de uma força devastadora que peca apenas pela reprodução por vezes excessiva de maneirismos tradicionais do black metal que não induzem mais do que uma sensação de indiferença. Globalmente um trabalho pouco acima da média.

in CLIP (Diário de Aveiro), 27 Março 2008

domingo, 23 de março de 2008

THE ARCANE ORDER

«In the Wake of Collisions»
(Metal Blade, 2008) [7.5/10]

Estrearam-se há pouco mais de ano e meio com «The Machinery of Oblivion», um trabalho com o seu quê de death metal melódico mas que deixava claro não se tratar de mais um banda do vasto catálogo Metal Blade a capitalizar no execrável metalcore. Neste novo álbum a banda dinamarquesa deixa cair por completo as referências aos clichés de Gotemburgo em favor duma abordagem thrash/death mais brutal mas também com mais teclados. Comparações com Strapping Young Lad são agora quase inevitáveis, no entanto, a prestação impressionante do guitarrista Flemming Lund aproxima-os por vezes mais do death épico característico dos Theory in Practice. A secção rítmica, da qual se destaca a percussão colorida, surge por vezes demasiado poderosa na mistura, quase eclipsando os admiráveis pormenores de guitarra e teclas do background. Com Kasper Thomsen (também dos Raunchy) a recorrer desta vez mais ao registo gutural, que alterna com os seus vocais mais rasgados, «In the Wake of Collisions» é um disco de sonoridade espessa e esmagadora que deixa no ouvinte uma sensação muito semelhante a uma violenta colisão frontal.

in CLIP (Diário de Aveiro), 20 Março 2008

domingo, 16 de março de 2008

Edição de Março 18, 2008

Na 2º Hora:

Entrevista com Maik Knappe, guitarrista dos alemães DARK SUNS a propósito do álbum «Grave Human Genuine».

- "A voz do Niko é de facto muito parecida com a do Daniel dos Pain of Salvation mas as semelhanças entre os Dark Suns e essa banda sueca ficam por aí"
- "O álbum não tem nada de divertido ou animador, no entanto nós somos pessoas engraçadas e é isso que está patente no clip do "The chameleon conflict""

(Maik Knappe)

sexta-feira, 14 de março de 2008

PEST

«Rest in Morbid Darkness»
(Season of Mist, 2008) [7/10]

Completam agora a primeira década de uma existência caótica marcada por seis lançamentos infernais e prometem continuar a atormentar o mundo dos vivos com o black metal mais imundo de sempre. Este quarto longa duração é mais um exercício dentro dos limites de um estilo da velha guarda, orgulhosamente básico, que não admite polimentos modernos extravagantes e onde tudo é ferozmente disparado apenas pela artilharia elementar das guitarras, baixo e bateria. Ao todo são nove hinos simultaneamente rudes e viciantes, sem floreados supérfluos, e de irrepreensível execução. Uns temas mais do que outros mostram que a inseparável dupla Necro/Equimanthorn não arrumou ainda os velhos LPs dos Celtic Frost e Iron Maiden. A contrastar com todo este frenesim diabólico, o disco termina com uma faixa de quinze minutos, surpreendentemente lenta, numa veia idêntica a algo que a banda sueca gravou no EP “Daudafaerd” em 2004. Selvagem e directo, com uma produção suja a condizer, «Rest in Morbid Darkness» é um ataque intenso de thrash enegrecido que soa demasiado a Darkthrone para o seu próprio bem, recomendando-se apenas aos fãs mais empedernidos do género.

in CLIP (Diário de Aveiro), 13 Março 2008

sábado, 1 de março de 2008

Edição de Março 4, 2008

Na 2ª Hora:

Entrevista com Flemming Lund, guitarrista dos dinamarqueses THE ARCANE ORDER a propósito do álbum «In the Wake of Collisions».

- "Logo que nos apercebemos que este álbum ia soar bastante diferente resolvemos colocar um aviso no website de forma a preparar mentalmente os fãs"
- "Este é um álbum sobre colisões, sobre choques entre ideias e conceitos antagónicos: amor e ódio, guerra e paz, vida e morte..."
- "Esta bandas mais recentes de metalcore fazem todas a mesma coisa: limitam-se a copiar riffs de grupos suecos de há 10 ou 15 anos atrás"
(Flemming C. Lund)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

BEHEMOTH

«The Apostasy»
(Regain Records, 2007) [9/10]

Se o death metal está hoje vivo e de boa saúde, em grande parte o deve aos Behemoth. Para além de produzirem alguma da música mais estimulante dentro do género, os discos do trio polaco assumem a autoridade de autênticos padrões de aferição de qualidade para a concorrência. «Demigod», lançado em 2004, elevou esta bitola a níveis sem precedentes. O sucessor, «The Apostasy», segue-lhe o exemplo, com composições excelentes baseadas em riffs por vezes envolvidos de rodopios e ondulações thrashy, outras vezes metralhados sem misericórdia, mas sempre com uma execução fenomenal e uma marcação rítmica precisa e criativa. Alguns temas surgem salpicados com arranjos sinfónicos e vozes de sopranos, culminando por vezes em compassos militaristas de proporções megalómanas. Como quase sempre, o vozeirão inumano de Nergal disserta sobre temáticas místicas dos ‘caminhos à esquerda’, escarnecendo ao mesmo tempo das religiões da culpa e da subserviência. Com temas curtos mas eficazes e um som não menos que titânico, «The Apostasy» é um lançamento imprescindível e a garantia de uma experiência sónica suprema.

in CLIP (Diário de Aveiro), 28 Fevereiro 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

NOVEMBRE

«Materia»
(Peaceville Records, 2006) [8/10]

Sendo um fã incondicional deste grupo italiano desde que se apresentaram, em 1994, com o fascinante «Wish I could dream it again», foi com alguma desilusão que recebi este novo disco tal é o afastamento que regista em relação às atmosferas death metal de outrora, em favor duma abordagem sonora mais relaxada e acessível. Comparações com o som dos Katatonia ou Anathema são, agora, quase inevitáveis, no entanto os Novembre mantêm ainda uma carácter muito próprio que se manifesta especialmente na sua maneira única de compor, resultando em temas brilhantes que incluem desde segmentos densos e envolventes até passagens tranquilas e naíve. Estas últimas são, por vezes, cantadas no idioma nativo da banda, o qual, devido à sua fonética característica, confere a estes momentos uma expressividade sem igual. Outro aspecto a salientar em «Materia» é o exímio trabalho de guitarra que aparece nas inspiradas sequências de abertura de alguns temas e nos solos apaixonados que permeiam todo o disco. Ainda assim prefiro qualquer uma das anteriores incarnações da banda (daí a minha leve desilusão), mas não tenho como evitar reconhecer a excelência deste quinto álbum.

in CLIP (Diário de Aveiro), 21 Fevereiro 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Edição de Fevereiro 19, 2008

Na 2º Hora:

Entrevista com Necro, guitarrista, baterista e vocalista dos suecos PEST a propósito do novo álbum «Rest In Morbid Darkness».
- "Este álbum reflecte um pouco mais as nossas influências de heavy metal tradicional. Penso que este é que é o verdadeiro som dos Pest"
- "A canção «Lust for cruelty» foi feita com a intenção de aborrecer o ouvinte até às lágrimas... Contudo parece que agradou a muita gente, o que me leva a concluir que falhamos redondamente!..:-)"
- "Detesto que nos acusem de copiar os Darkthrone! De facto quase todas as criticas os mencionam como referência, mas eu não ouço nada de Darkthrone na nossa música
"
(Necro)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

VEHEMENTER NOS

(s/t)
(Osmose Productions, 2007) [8.5/10]

Sem o contributo de bandas inovadoras como os Deathspell Omega, Blut Aus Nord e outras jovens promessas entre as quais se incluem os Vehementer Nos, o black metal não teria hoje metade do interesse. Estes colectivos (franceses) tendem a substituir a agressividade tradicionalmente explícita do género por uma abordagem mais subtil, sombria e avantgarde, embora os Vehementer Nos optem por elementos de composição mais ortodoxos. O auto-intitulado álbum de apresentação é feito de cinco longos temas (três dos quais a rondar os dez minutos) de música elaborada, algo progressiva, que percorre uma vasta gama de ritmos e emoções, desde os mais acelerados e malévolos aos mais lentos e tortuosos, juntando uma dose generosa de elementos clássicos magistralmente executados em violino, violoncelo, flauta e piano, que se integram com perfeição no seio da sonoridade escura e abrasiva da banda. Não é com toda a certeza um disco fácil de ouvir, contudo pode revelar-se uma experiência recompensadora para quem procura música extrema de inclinação mais obscura e cerebral. Depois dum álbum deste calibre, esta passa a ser uma banda a não perder de vista.

in CLIP (Diário de Aveiro), 8 Fevereiro 2008

sábado, 2 de fevereiro de 2008

ALASTOR

«Noble North»
(No Colours Records, 2007) [7.5/10]

Nunca tiveram pruridos em mostrar abertamente a sua admiração pelo legado dos pioneiros nórdicos do black metal, mas desta vez fizeram mais do que isso dando uma volta no caldeirão das influências e criando um trabalho que integra na perfeição atmosferas gélidas e melodias sombrias, com cavalgadas a meio tempo e blast beats devastadoras. Crú na sonoridade mas maduro na composição, este é um disco feito de boas malhas, transições bem sacadas e leads atraentes que agarram a atenção a todo o momento. Ao longo dos oito temas ouvem-se pontualmente riffs sincopados à la Satyricon e coros à moda dos Enslaved, e a performance vocal de Reingoe faz lembrar por vezes o registo áspero e grave de Galder (Old Man’s Child). Contudo, apesar de todas as referências por vezes demasiado óbvias, o disco deverá agradar a qualquer apreciador de black metal melódico, sendo também testemunho de um grande salto qualitativo em relação a «Silva Nordica», o álbum de estreia. Este último pode certamente não ter convencido em 2006, mas com «Noble North» os Alastor têm agora finalmente o passaporte para conquistar o lugar merecido na cena europeia.

in CLIP (Diário de Aveiro), 31 Janeiro 2008