domingo, 18 de maio de 2008

SEPTIC FLESH

«Communion»
(Season of Mist, 2008) [8.5/10]

Como um fantasma que regressa para completar a obra que uma morte prematura interrompeu, também os Septic Flesh ressurgem agora das suas próprias cinzas, para acrescentar ao seu legado artístico algo que tinha ficado por fazer - um trabalho a combinar uma forte componente sinfónica com o death metal melódico do passado recente. E para esse efeito o colectivo grego não se fez rogado, tendo-se reunido com os 80 músicos da Orquestra Filarmónica de Praga mais um coro de 32 vozes, que o ‘gothic maestro’ Chris Antoniou pessoalmente dirigiu. O que daí resultou é uma das mais perfeitas simbioses entre a fina delicadeza das texturas sinfónicas e a brutalidade extrema dos riffs e das blast-beats. Variado na gradação com que a componente orquestral é usada, o álbum inclui desde temas intensamente sinfónicos onde o dramatismo dos elementos clássicos projecta literalmente imagens teatrais no subconsciente, até alguns temas mais simples que bem poderiam fazer parte de «Sumerian Daemons», todos eles comandados pelo rugido demónico de Seth e pelo estupendo registo vocal de Sotiris. Se este é o fruto do longo período de paragem a que a banda se sujeitou, então espero que voltem a tirar umas longas férias antes do próximo disco.

in CLIP (Diário de Aveiro), 15 Maio 2008

domingo, 11 de maio de 2008

Edição de Maio 13, 2008

Na 2ª Hora:

Entrevista com Eivind "-viNd-" Fjoseide, guitarrista dos noruegueses ATROX a propósito do último álbum «Binocular».

- "Sempre fomos grandes fãs de Arcturus e isso nota-se no nosso som desde o álbum «Contentum». Os elementos industriais que usamos agora tornam essa influencia ainda mais evidente"
- "As letras são sobre a ascensão e queda dum cientista paranóico, mais precisamente Nikola Tesla (1856–1943). Ele encarnou um pouco o estereotipo do cientista louco"
- "A nossa editora anterior (a Code666) rescindiu o contrato com a banda logo que soube que a Monika (antiga vocalista) tinha saído"
(-viNd-)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

NERTHUS

«The Crowned’s Reunion»
(CCP Records, 2007) [6.5/10]

Em 2002 impressionaram com o álbum «Scattered to the Four Wainds», uma pequena obra-prima de folk/black metal com um som e estilo tão peculiar que colocou definitivamente o colectivo austríaco no mapa dos grandes talentos do género. «The Crowned’s Reunion» é um manifesto renovado do engenho dos irmãos Hiebaum na arte de conceber odes admiráveis que se demarcam visivelmente dos estereótipos mais desgastados das hibridações folk. Ao contrário do disco de há seis anos, este quarto álbum de estúdio é pontuado por melodias de forte inspiração céltica e por um certo encanto exótico materializado pela utilização recorrente do berimbau e de outros instrumentos menos convencionais. Como já vem sendo hábito, o disco inclui uma série de pequenos instrumentais entre as faixas principais que se assemelham, desta vez, às introduções de teclados dos Summoning. O problema destes interlúdios é que, por um lado, funcionam numa toada completamente distinta da restante música, e por outro surgem em número excessivo. O resultado é um álbum com cinco boas músicas num total de onze, intercaladas por excertos tão maçadores quanto os blocos publicitários nos intervalos dum filme.

in CLIP (Diário de Aveiro), 8 Maio 2008

segunda-feira, 5 de maio de 2008

ATROX

«Binocular»
(Season of Mist, 2008) [9/10]

Após a publicação dum álbum tão invulgarmente directo como «Orgasm» e do abandono subsequente da excêntrica Monika Edvardsen, pensei que os Atrox estivessem arrumados. Mas enganei-me. Cinco anos depois o colectivo norueguês reaparece, revitalizado, com uma proposta que, pela primeira vez, recorre fortemente aos computadores e aos elementos electrónicos, e a uma abordagem experimental e vanguardista que tem muito em comum com Arcturus e Age of Silence. Menos concentrado no peso das guitarras e com mais espaço para devaneios progressivos e atmosferas psicadélicas, o novo álbum é apropriadamente descrito pela banda como retro-futurista, opondo o orgânico ao mecânico e o moderno ao antigo, através duma composição extravagante com traços por vezes esquizofrénicos, que se demarca de todo o tipo de convenções do espectro do ‘metal’. Embora não seja fácil esquecer o inimitável estilo histriónico de Edvardsen, a banda ficou muito bem servida com o novato Rune Folgerø que demonstra possuir o talento vocal e o perfil adequados ao universo sonoro retratado em «Binocular». Um disco inteligente e criativo, apenas para quem procura algo de excepção.

in CLIP (Diário de Aveiro), 1 Maio 2008

sábado, 26 de abril de 2008

Edição de Abril 29, 2008

Na 1ª Hora:

Entrevista com Guilhermino Martins e Patrícia Rodrigues, respectivamente guitarrista e vocalista dos portugueses THANATOSCHIZO, a propósito do último álbum "Zoom Code".

- "Acima de tudo este álbum revela uma grande amadurecimento da banda. Penso que aperfeiçoamos muito a nossa forma de compor."
- "Este disco reúne quatro componentes: o nosso estilo próprio de death metal, rock progressivo, alguma música electrónica, e elementos exóticos ou étnicos algo semelhantes aos que usamos no "Schizo Level".

HATE

«Morphosis»
(Listenable Records, 2008) [9/10]

Há cerca de dois anos encabeçavam a lista negra de bandas a abater criada pelo ultra conservador polaco Ryszard Nowak ao mesmo tempo que, indiferentes a controvérsias, inauguravam uma era sónica renovada com a introdução de elementos industriais no seu, até aí, death metal tradicional. Foi o ano do álbum “Anaclasis - A Haunting Gospel of Malice & Hatred”. Em Morphosis” Atf Sinner e Cia trazem-nos mais algumas mudanças. Os sons sintéticos continuam lá, mas agora identificam-se mais com elementos ambientais ou de electrónica futurista do que propriamente com sonoridades industriais. Apesar de rico em rajadas ultra rápidas capazes de pulverizar uma pequena comunidade católica (!), este sexto longa duração é, em média, acentuadamente mais lento, apresentando até algumas passagens melódicas ao longo dos seus oito temas. Sem grande pretensiosismo técnico e mais concentrado numa composição consistente e direccionada para os aspectos essenciais da agressão e do groove, “Morphosis” é sobretudo uma indispensável lufada de ar fresco no death metal actual, dum colectivo que ainda há pouco tempo carregava o epíteto de “ameaça para a ordem democrática”.

in CLIP (Diário de Aveiro), 24 Abril 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

ROOT

«Daemon Viam Invenient»
(Shindy Productions, 2008) [6/10]

Ser conhecido e respeitado em todo o mundo sem nunca ter beneficiado, em vinte anos de carreira, da ajuda da máquina promocional de uma grande editora, é talvez uma das melhores definições do que é ser uma ‘banda de culto’. Depois de criarem com «Madness of the Graves» um dos trabalhos mais acessíveis de sempre, os lendários Root regressam ao ecletismo de registos anteriores com um disco que cruza elementos diversos, desde o dark/death metal ao gótico e até ao blues, mas que tem sobretudo a marca peculiar do colectivo Checo. Ao mesmo tempo, este é um dos álbuns menos inspirados dos últimos anos, com algumas faixas enfadonhas e até dispensáveis, e uma certa incoerência interna que faz com que soe por vezes como uma compilação de músicas soltas unidas apenas pelo mesmo fio condutor lírico. Em grande medida o disco só não descamba para um completo fiasco graças ao magnífico e amplo espectro vocal do carismático Big Boss, que parece continuar no seu melhor apesar dos seus já 55 anos de idade (!). Enfim, um momento menos feliz para os Root que nos deixa a aguardar ainda mais ansiosamente pelo próximo álbum.

in CLIP (Diário de Aveiro), 17 Abril 2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

15 e 22 de Abril, 2008

Edições especiais dedicadas ao maior festival português de música extrema, o SWR Barroselas Metalfest, referência incontornável actual no roteiro europeu de festivais de metal.

Por essa vila do concelho de Viana do Castelo, vão passar este ano, nos 3 dias em que decorre o evento, um total de 42 bandas, entre as quais se incluem:
ENSLAVED, BRUJERIA, NIFELHEIM, FLESHCRAWL, REGURGITATE, ROTTEN SOUND, URGEHAL, SATURNUS e MAR DE GRISES.



domingo, 6 de abril de 2008

Edição de Abril 8, 2008

Na 2º Hora:

Entrevista com Atf Sinner, guitarrista/vocalista e líder dos polacos HATE a propósito do último álbum, "Morphosis".

- "Awakening of the Liar"(2003) foi o nosso derradeiro disco de death metal tradicional. Inovar a partir daqui implicou a introdução de novos elementos - no caso, industriais"
- "Trabalhar com samples industriais é sempre 'perigoso', pois a primeira impressão que tens é que quanto mais samples adicionas, melhor. O problema é que não passa disso mesmo: uma impressão.
- "O conteúdo lirico de "Morphosis" é sem dúvida satânico, embora não assuma a perspectiva tipíca da blasfémia barata. Trata-se sim duma abordagem mais filosófica e ocultista."
- "Há dois anos viveu-se na Polónia um período de verdadeira caça às bruxas. A maioria das bandas com inclinações minimamente satânicas foram proíbidas de tocar ao vivo"
(Atf Sinner)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

DARK SUNS

«Grave Human Genuine»
(Prophecy Productions, 2008) [8/10]

Conseguir uma identidade sonora única é, talvez, a principal aspiração da maioria das bandas. Os Dark Suns estiveram já muito perto disso mas, conscientemente ou não, dão agora um passo atrás nesse processo com um álbum que tresanda a Pain of Salvation, Fates Warning e outros quantos nomes da cena progressiva. Contudo este é um daqueles casos em que a excelência quase que desculpa a colagem, por mais escandalosa que possa parecer. “Grave Human Genuine” é de facto um disco maravilhoso de metal progressivo, de melodias mágicas de guitarra e piano, e um sem número de detalhes que se revelam a cada audição. A música percorre uma vasta gama de sonoridades, texturas rítmicas e estados de espírito, com apontamentos electrónicos e pinceladas pontuais de instrumentos menos convencionais. Gravado com a participação de Kristoffer Gildenlow (ex-baixista dos Pain of Salvation), este multifacetado terceiro registo do colectivo germânico peca apenas pelas duas últimas faixas, demasiado minimalistas e pouco ambiciosas em comparação com o restante material, mas é, ainda assim, um trabalho deslumbrante.

in CLIP (Diário de Aveiro), 3 Abril 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Edição de Abril 1, 2008

Na 1ª Hora

Passatempo Ancient Ceremonies

Oferta de seis (6) cópias da MEGA edição #14 da revista Ancient Ceremonies

Inclui:
- 25 entrevistas com bandas como Obituary, Marduk. Immolation, DHG, Dimmu Borgir, Mayhem, Desaster, Corpus Christii, The Vision Bleak, After Forever, entre outras;

- Centenas de reviews de CDs e DVDs;
- Total de 100 páginas;
- CD compilação com 19 bandas e 79 minutos

HEGEMON

«Contemptus Mundi»
(Season of Mist/Underground Activists, 2008) [7.5/10]

Confinados durante mais de dez anos à obscuridade do circuito underground francês, os Hegemon apresentam-se finalmente ligados a uma editora à altura da sua competência e com um novo disco que lhes perspectiva o merecido reconhecimento além fronteiras. As primeiras voltas a «Contemptus Mundi» são suficientes para perceber o quanto a banda progrediu durante este hiato de seis anos que se seguiu ao lançamento do álbum «By this I Conquer», numa direcção musicalmente mais elaborada, mas, ainda assim, fiel à sua orientação black metal de terceira geração. A habilidade com que o quarteto gaulês engendra estruturas rítmicas apelativas, alternâncias de velocidade, riffs melódicos espectaculares e até coros que convidam a acompanhar, é bem patente em alguns dos temas. Pontuado por alguns segmentos acústicos e samples de filmes alusivos aos temas bélicos que servem de mote às letras, este é um disco de uma força devastadora que peca apenas pela reprodução por vezes excessiva de maneirismos tradicionais do black metal que não induzem mais do que uma sensação de indiferença. Globalmente um trabalho pouco acima da média.

in CLIP (Diário de Aveiro), 27 Março 2008

domingo, 23 de março de 2008

THE ARCANE ORDER

«In the Wake of Collisions»
(Metal Blade, 2008) [7.5/10]

Estrearam-se há pouco mais de ano e meio com «The Machinery of Oblivion», um trabalho com o seu quê de death metal melódico mas que deixava claro não se tratar de mais um banda do vasto catálogo Metal Blade a capitalizar no execrável metalcore. Neste novo álbum a banda dinamarquesa deixa cair por completo as referências aos clichés de Gotemburgo em favor duma abordagem thrash/death mais brutal mas também com mais teclados. Comparações com Strapping Young Lad são agora quase inevitáveis, no entanto, a prestação impressionante do guitarrista Flemming Lund aproxima-os por vezes mais do death épico característico dos Theory in Practice. A secção rítmica, da qual se destaca a percussão colorida, surge por vezes demasiado poderosa na mistura, quase eclipsando os admiráveis pormenores de guitarra e teclas do background. Com Kasper Thomsen (também dos Raunchy) a recorrer desta vez mais ao registo gutural, que alterna com os seus vocais mais rasgados, «In the Wake of Collisions» é um disco de sonoridade espessa e esmagadora que deixa no ouvinte uma sensação muito semelhante a uma violenta colisão frontal.

in CLIP (Diário de Aveiro), 20 Março 2008

domingo, 16 de março de 2008

Edição de Março 18, 2008

Na 2º Hora:

Entrevista com Maik Knappe, guitarrista dos alemães DARK SUNS a propósito do álbum «Grave Human Genuine».

- "A voz do Niko é de facto muito parecida com a do Daniel dos Pain of Salvation mas as semelhanças entre os Dark Suns e essa banda sueca ficam por aí"
- "O álbum não tem nada de divertido ou animador, no entanto nós somos pessoas engraçadas e é isso que está patente no clip do "The chameleon conflict""

(Maik Knappe)

sexta-feira, 14 de março de 2008

PEST

«Rest in Morbid Darkness»
(Season of Mist, 2008) [7/10]

Completam agora a primeira década de uma existência caótica marcada por seis lançamentos infernais e prometem continuar a atormentar o mundo dos vivos com o black metal mais imundo de sempre. Este quarto longa duração é mais um exercício dentro dos limites de um estilo da velha guarda, orgulhosamente básico, que não admite polimentos modernos extravagantes e onde tudo é ferozmente disparado apenas pela artilharia elementar das guitarras, baixo e bateria. Ao todo são nove hinos simultaneamente rudes e viciantes, sem floreados supérfluos, e de irrepreensível execução. Uns temas mais do que outros mostram que a inseparável dupla Necro/Equimanthorn não arrumou ainda os velhos LPs dos Celtic Frost e Iron Maiden. A contrastar com todo este frenesim diabólico, o disco termina com uma faixa de quinze minutos, surpreendentemente lenta, numa veia idêntica a algo que a banda sueca gravou no EP “Daudafaerd” em 2004. Selvagem e directo, com uma produção suja a condizer, «Rest in Morbid Darkness» é um ataque intenso de thrash enegrecido que soa demasiado a Darkthrone para o seu próprio bem, recomendando-se apenas aos fãs mais empedernidos do género.

in CLIP (Diário de Aveiro), 13 Março 2008

sábado, 1 de março de 2008

Edição de Março 4, 2008

Na 2ª Hora:

Entrevista com Flemming Lund, guitarrista dos dinamarqueses THE ARCANE ORDER a propósito do álbum «In the Wake of Collisions».

- "Logo que nos apercebemos que este álbum ia soar bastante diferente resolvemos colocar um aviso no website de forma a preparar mentalmente os fãs"
- "Este é um álbum sobre colisões, sobre choques entre ideias e conceitos antagónicos: amor e ódio, guerra e paz, vida e morte..."
- "Esta bandas mais recentes de metalcore fazem todas a mesma coisa: limitam-se a copiar riffs de grupos suecos de há 10 ou 15 anos atrás"
(Flemming C. Lund)